sábado, 12 de setembro de 2009

O caldo entornou...mas eles já sabiam

A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil vem passando por uma crise sem precedente. Acessem este link para conhecerem o lado da direção da IPIB. E depois, leia o texto abaixo, escrito por mim e enviado como resposta ao documento da Secretaria Geral da IPIB.

de Giovanni Alecrim
para IPIB - Secretaria Geral
data 11 de setembro de 2009
assunto Re: Pastoral à IPIB

Graça e paz,

Primeiro, cabe aqui um registro: manifesto-me como Ministro da Palavra e dos Sacramentos Presbiteriano Independente, que teve a honra e o privilégio de ser seminarista e pastorear a IPI Central de Votorantim e que acompanha de perto essa situação lastimável. Portanto, não me manifesto como membro do Presbitério Sorocaba, jurisdição daquela IPI, nem oficialmente como Pastor da IPI de Grajaú ou Presbitério São Paulo, Igreja onde estou hoje e a quem copio este e-mail para que saibam de minha postura pessoal. Manisfesto-me pessoalmente como Rev. Giovanni, que serve e ama a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e que assiste de perto todo o sofrimento de uma Igreja que não merece ser tratada como foi e como está sendo. Portanto, para maior clareza, copio este e-mail também ao pastor da IPI Central de Votorantim, Rev. Jonas de Araújo, com quem tenho laços mais que fraternos de ministério, mas também familiares.

Conhecedor do fato de perto, mais lastimável que chegar a essa situação é ler a frase O mais terrível foi que a IPI do Brasil só tomou conhecimento disso já na fase de execução que bem sabemos é, no mínimo, inverossímil, e eu o posso dizer por ter eu mesmo alertado o Sr. Rev. Assir Pereira todas as vezes em que ele esteve na Sociedade Bíblica do Brasil e todas as vezes que eu o encontrei, além de saber das inúmeras tentativas de contato e de visita da IPI Central de Votorantim ao Escritório Central da IPIB.

Mais lastimável que deixar a situação chegar a esse ponto, é fazer-se de desconhecedor de um fato que está aí e a própria AG tem conhecimento, basta ler as atas.

Lastimável é que os responsáveis por essa situação não são denominados neste documento e ainda ocupam os púlpitos de nossa denominação.

Lastimável é saber que a assessoria jurídica oferecida pela IPIB à IPI Central de Votorantim está processando a IPI Central de Votorantim.

Lastimável é que, ao enviar um documento como este, está eliminado o direito de resposta no mesmo nível por parte da IPI Central de Votorantim, pois não sabemos a quem foi enviado (para quais e-mail's?).

Lastimável é lembrar que a IPIB omitiu-se quando a "bola de neve" estava começando e o suor e dedicação dos irmãos e irmãs da IPI Central de Votorantim foi que salvaram o que restou da dignidade daquele povo.

Lastimável é ver a IPIB posar de vítima, quando na verdade é co-responsável, ao permitir que os responsáveis ainda ocupem os púlpitos de nossa denominação e publiquem artigos em O Estandarte.

Mas diante de tanta lástima, ainda assim, há esperança.

Esperança quando me recordo de senhoras levantando aos sábados por anos a fio para promover bazares e festas para pagar as contas de água e luz da IPI Central de Votorantim enquanto seus dízimos e ofertas iam para liquidar dívidas.

Esperança quando me recordo que foi com recursos de irmãos da IPI Central de Votorantim e até mesmo de outras denominações que a Igreja preserva seu templo.

Esperança quando me recordo das mãos estendidas do Presbitério Sorocaba, que por muitas vezes, e com razão, confrontou a IPI Central de Votorantim, mas não negou-lhe ajuda.

Esperança quando me recordo dos pastores que dobram seus joelhos pela IPI Central de Votorantim e que clamam a Deus a muito mais tempo do que este documento, que tardiamente chega pedindo o mesmo em favor da nacional.

Esperança quando minha esposa me relata que o templo da IPI Central de Votorantim está repleto de pessoas e que chega a faltar lugar para sentar na Igreja, pois, ao contrário do que muitos pensam, ali o povo de Deus encontra orientação e consolo.

Esperança quando abro O Estandarte e leio notícias das Congregações da IPI Central de Votoratim, uma Igreja que, apesar de falida aos olhos de muitos, pulsa de vida e é rica em sua vocação cumprindo a MISSIO DEI.

Esperança, por saber que Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu sei que a a IPI Central de Votorantim dá graças ao Senhor e louva a Deus, o seu Salvador. O Senhor Deus é a força daquela Igreja. Ele torna o seu andar firme como o de uma corça e a leva para as montanhas, onde estará segura.

Por isso, enquanto a IPIB se manifesta com preocupação pela crise, a IPI Central de Votorantim não está descendo a ladeira, não, ela está com o seu andar firme rumo às montanhas do Senhor, onde estará segura quando chegar lá. Existem pedras, penhascos e desfiladeiros, mas a IPI Central de Votorantim continua firme em seu caminhar.

Mas nem tudo são lástimas e esperanças, há também fé e amor, que é a razão de ser deste e-mail, que é o motivo pelo qual eu escrevo. Não posso dizer a vocês para contarem com a minha oração, eu já oro por uma solução há mais de 5 anos. No fundo, senhores, o que mais me frustra, é ver que as decisões equivocadas não são corrigidas a tempo e hoje a IPIB sofre as consequências de sua própria falta de atitude diante deste fato e quiçá de outros semelhantes a estes que acontecem e ainda não sabemos.

Com a preocupação que seja o assunto tratado as claras, proponho que a Igreja seja informada oficialmente em o Estandarte, com o mesmo documento que foi enviado por e-mail e que seja aberto um espaço para esclarecimentos e manifestações acerca desta questão. Que seja tratada com dignidade e respeito e que seja um espaço de diálogo e críticas, de duas mãos, jamais unilateral. Só teremos a crescer com este debate e a aprender a evitar os mesmos erros. Gostaria, inclusive, que este meu e-mail fosse publicado neste espaço. Vamos abrir um espaço para o diálogo em busca da solução deste problema. É preciso buscar os fatos, a verdade, a verdade incomoda, mas aprendi na IPI do Sacomã, Igreja em que fui membro, que é o melhor caminho para resolver os problemas.

Contem comigo, sim, contem, mas não me peçam para tapar o sol com a peneira, pois não foi isso que meus professores me ensinaram nos bancos do saudoso Seminário Teológico de São Paulo.

Pela Coroa Real do Salvador.

--
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
http://cafecomalecrim.com.br

6 comentários:

Elizeu Rodrigues Cremm disse...

Caríssimo Giovani, meu querido ex-aluno e agora colega de Ministério da Palavra e dos Sacramentos. Gostei imensamente das suas ponderações. Acho válidas e muito importantes num momento como esse. Orarei pela IPI Central de Votoramtim, sem dúvida. Mas peço como colega mais experiente: ore você também pela IPI do Brasil. De uma forma ou de outra somos também responáveis. No nosso sistema de governo, que é o representativo, nós elegemos os atuais dirigentes da cúpula da denominação que "erraram" digamos assim. Concordo com você em tudo, apenas peço que oremos por todos.
Abraço fraterno pleno de amor, que é dom de Deus.
Elizeu Rodrigues Cremm

Rev. Giovanni C.A. de Araújo disse...

Caro Professor,

Em nenhum momento deixei de orar, principalmente, para que os fatos sejam tratados com o cuidado e o zêlo que eles merecem.

E obrigado por suas palavras, estão gravadas no coração.

Na Paz!

Fabio disse...

Na qualidade de membro da IPI do Brasil, igreja de Casa Verde, gostaria de saber de você o que aconteceu em Votorantim que gerou toda esta crise. Suas palavras foram muito bonitas mas em momento algum tocaram no cerne da questão.
Fico no aguardo de maiores esclarecimentos.
Fábio Marinelli.

Rev. Giovanni C.A. de Araújo disse...

Caro Fabio, existe uma maneira simples de você sabe o que aconteceu: Atas da Assembleia Geral publicadas em O Estandarte. Resumindo a história: dívidas trabalhistas, entre outras coisas.

Fabio disse...

Infelizmente, não é o que existe nos jornais quando procuramos pelo nome do colégio em questão. Parece que o acontecido foi bem mais grave. Use o Google e veja as notícias que saíram na imprensa...

Rev. Giovanni C.A. de Araújo disse...

Pois é Fábio, existem culpados, e o que queremos é que sejam condenados, pela justiça e também sejam exortados na disciplina da Palavra de Deus. A justiça de Deus, sobre a vida deles e da nossa, já está consumada desde a fundação dos tempos, a nós cabe preservar a unidade do corpo e o senso crítico para não aceitar qualquer meia-palavra como sendo verdade.
Fica na paz