sexta-feira, 11 de abril de 2008

Jesus está conosco
São Lucas 24.13-35

O evangelho de São Lucas nos conta, logo após o relato da ressurreição, a respeito do encontro de dois discípulos com Jesus. Embora tenhamos relatos em outros evangelhos, São Lucas apresenta pela primeira vez um episódio sobre a aparição de Jesus ressurrecto. Pelo próprio texto que lemos (v. 34) percebemos que Jesus já havia aparecido à outra pessoa antes.

Aqueles dois discípulos, de quem a São Lucas só nos revela o nome de um, a saber Cleopas, estavam a caminho de Emaús. Não se sabe precisar ao certo onde ficava Emaús, mas diz São Lucas que era cerca de sessenta estádios, mais ou menos dez quilômetros. Uma caminhada de duas, no máximo três horas, como iam conversando, possivelmente deve ter demorado mais. Num certo momento desta caminhada, escutam passos atrás de si e percebem Jesus se aproximando, mas não o reconhecem. Teria Jesus aparecido em forma diferente? Teriam os discípulos impedidos por ação sobrenatural de reconhecer Jesus? Não sabemos, mas o fato é que Jesus, para eles um homem desconhecido, caminhava com eles. Nesta caminhada de Jesus com os discípulos tiramos duas grandes lições: a primeira é que Jesus caminha conosco e segunda é que Jesus fala aos nossos corações.

Jesus caminha conosco. Cleopas e o outro discípulo estavam a caminho de Emaús. Eles caminhavam e Jesus aproxima-se deles e caminha com eles. Entristecidos com últimos acontecimentos em Jerusalém, eles percebem a aproximação de Jesus, mas não o reconhecem.

A nossa vida é uma caminhada. Nesta caminhada temos um companheiro ao nosso lado, a todo instante. Jesus está conosco a todo instante. Caminha ao nosso lado.

Será que temos reconhecido Jesus ao nosso lado? Quantas vezes podemos reconhecer Jesus ao nosso lado? Nos momentos de dificuldades, sempre clamamos por sua presença e por sua ajuda. Nos momentos de alegria, reconhecemos que ele nos abençoa. Mas reconhecemos que ele está ao nosso lado a todo instante?

Aqueles discípulos estavam triste e abatidos com o que acontecera em Jerusalém. Desanimados, conversavam sobre o que havia acontecido a Jesus e como suas esperanças de que Jesus fosse o Cristo vieram abaixo com sua crucificação. Aparentemente não aceitaram o testemunho das mulheres que foram informadas por anjos que Jesus havia ressuscitado. Estavam confusos, tristes, desesperançados.

Em nosso dia-a-dia temos inúmeras situações que nos deixam confusos, tristes e desesperançados. Doenças, desemprego, conflitos na família. Podemos elaborar uma enorme lista do que nos desanima. Mas devemos ter em mente, sempre, que não importa o quanto tenhamos problemas, Jesus caminha ao nosso lado. Ele está sempre ao nosso lado, nos dando a direção certa a seguir. Nos orientando, corrigindo, exortando, abraçando, estendendo sua mão para nos ajudar.

Cabe a nós, ouvir o que Jesus tem a nos dizer, ouvir com atenção, pois quando fala, jesus fala ao nosso coração.

O coração daqueles homens sentia algo diferente que não conseguiam explicar. Um ardor semelhante ao que já haviam sentido antes. Enquanto Jesus explicava acerca do plano de Deus para a salvação, aqueles homens tinham seus corações enchidos de ardor e fé.

Jesus, quando fala, fala ao nosso coração. Ele conhece a nossa vida e sabe do que necessitamos, portanto, é no fundo de nosso coração que ele grava sua mensagem. Para não esquecermos o que ele tem para nós, Jesus fala ao nosso coração. Diz o salmista que é lá que devemos guardar a Palavra de Deus. Por isso Jesus fala e nosso coração se enche de ardor e esperança.

Naquela caminhada de cerca de duas a três horas, Jesus falou aos seus dois discípulos de uma maneira que eles compreendiam e podiam perceber que era necessário Jesus morrer como morreu.

Quando Jesus fala aos nossos corações, ele não usa de meio termo, fala de forma direta e nos dá a segurança de que estamos agindo conforme sua vontade. Ninguém é detentor da Palavra de Deus. Nem o pastor, nem os presbíteros nem ninguém pode dizer que fala em nome de Deus. Falamos a respeito de Deus e da vontade dele para nós, mas sua Palavra está revelada na Bíblia Sagrada e ela deve ser consultada sempre, na alegria e na tristeza. Se aqueles dois discípulos tivessem compreendido a mensagem dos profetas que lhes fora ensinada na sinagoga, possivelmente não teriam tido dificuldades de compreender a morte de Jesus. Da mesma forma nós, se não compreendermos a Palavra de Deus e não buscarmos o entendimento, nós estaremos como que andando no escuro, sem enxergar nada. Precisamos abrir nossos ouvidos, mente e coração para a Palavra de Deus e compreender que as palavras escritas neste livro são para a nossa edificação e nossa orientação. Precisamos abrir nossos ouvidos para que o Espírito Santo faça a palavra proferida por Jesus entrar em nossa mente e ficar gravada em nossos corações, e assim possamos viver de acordo com a palavra de Deus.

Concluindo. Naquele domingo, final de tarde, conforme o sol ia se pondo, aqueles dois discípulos chegaram a Emaús na companhia de Jesus. Fizeram com que Jesus entrasse e o reconheceram no partir do pão. Não há expressão maior de união entre irmãos que o partir o pão junto. Na nossa casa nós não colocamos qualquer um à mesa, apenas aqueles a quem amamos. Jesus se revelou no partir do pão àqueles dois discípulos. Hoje, ele quer partir o pão conosco para nos lembrar: eu estou do seu lado, caminhando com você. E ao ouvir Jesus falar, o nosso coração se enche de ardor e fé.

Que Deus nos dê a graça de partilhar o pão e tomar o cálice, seja não um memorial, mas a celebração da presença de Jesus conosco a todo instante, inclusive agora, na Eucaristia!

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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