terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Meu Ipiranga, minha história

Minhas lembranças do Ipiranga remontam à época em que vinha de "ombisu da combeta" de Belo Horizonte passar férias em São Paulo, no apartamento de minha vó na Rua Bom Pastor. O nosso " quintal" era o Museu. Seus jardins foram meu parquinho por algum tempo.

Anos passaram-se, mais ou menos dez, e após rodar meio mundo e meio Brasil, volto para, dessa vez, morar na região do Ipiranga. Minha vó trocara o apartamento da Bom Pastor por um sobrado na Marquês de Maricá, no Sacomã. Ainda assim, era no Ipiranga que minha vida acontecia. Foi na Silva Bueno que comprei meus materiais para escola e corria para comprar presentes e galanteios. Na Dois de Julho a padaria preferida da minha vó. Os doces na Gentil de Moura, hum, suculenta lembrança! Meu primeiro acidente de carro: cruzamento da Agostinho Gomes com a Brigadeiro Jordão. Por falar em carro lembro-me dos passeios com os amigos e amigas pelo bairro, quando cruzávamos a rua do Grito, todos soltávamos um sonoro e alto "Ah"! Geralmente eu ficava louco, afinal eu estava dirigindo.

O Museu foi palco de muitas histórias, principalmente de amizades sinceras que passeavam pelos jardins e corredores do Museu. No Museu comecei a namorar minha atual namorada e nele que vivemos o gostoso momento da conquista.

Na Nazaré, me lembro bem, tomei meu primeiro banho de chuva, voltando de skate do Parque da Independência.

No SESC então! Quantas histórias! A peça de teatro que me deixou ruborizado, o lanche no prato, as apresentações de música, mas o melhor: a sala de leitura! Foram tantas revistas e jornais, tantos livros que eu ia ler naquela sala!

Outra coisa que sempre me fascina: toda vez que tomo um ônibus para sair do bairro, sinto como se mudasse de cidade, o Ipiranga acaba transcendendo o "status" de bairro, torna-se minha cidade, meu lar, onde estou em casa. Volta e meia quando estou voltando, seja de carro, seja de ônibus, quando chego quer na Juntas Provisórias, quer na Tancredo Neves, quer na Nazaré, quer na Anchieta, quer na Estrada das Lágrimas, tenho a sensação de voltar para casa, chegar no meu recanto, no meu acalanto, no meu lar, no meu Ipiranga.

Acabei metamorfoseando-me em Paulistano, Ipiranguista, de coração e alma cheia de alegria por morar num bairro de histórias e histórias, seja a oficial ou a que nós escrevemos. Ipiranga é mesmo uma história viva, minha vida, minha história, esse é o meu Ipiranga!

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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