quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ao Nascimento de Cristo
Manuel Botelho de Oliveira (1636 – 1711)

Nasce o Verbo em Belém, pobre, humilhado,
Sendo supremo rei de toda a Terra,
E no corpo pequeno e breve encerra
Do seu divino ser, o imenso estado.

Naquela idade se prepara armado
Contra o inferno imortal que almas encerra;
E ao soberbo Lusbel movendo guerra
Por humildade o vê mais alentado.

Os demônios cruéis todos se espantam;
Chora e treme de frio o Verbo eterno;
Os anjos com voz doce nos encantam.

De sorte que o menino e Deus superno
Chora, porém de gosto os anjos cantam;
Treme, porém de medo treme o inferno.

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