Ao Nascimento de Cristo
Manuel Botelho de Oliveira (1636 – 1711)
Nasce o Verbo em Belém, pobre, humilhado,
Sendo supremo rei de toda a Terra,
E no corpo pequeno e breve encerra
Do seu divino ser, o imenso estado.
Naquela idade se prepara armado
Contra o inferno imortal que almas encerra;
E ao soberbo Lusbel movendo guerra
Por humildade o vê mais alentado.
Os demônios cruéis todos se espantam;
Chora e treme de frio o Verbo eterno;
Os anjos com voz doce nos encantam.
De sorte que o menino e Deus superno
Chora, porém de gosto os anjos cantam;
Treme, porém de medo treme o inferno.





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