segunda-feira, 14 de julho de 2008

Semear a todo instante
São Mateus 13.1-9, 18-23

A grande maioria de nós vive dias corridos. O dia-a-dia é puxado, com muitos compromissos. Nestes dias de correrias precisamos nos atentar ao que Jesus quer de cada um de nós. O que devemos fazer e o que devemos ter para viver de acordo com a Palavra de Deus.

O texto que lemos nos mostra Jesus à beira-mar falando com o povo por parábolas. Ele inicia sua fala com a parábola do semeador. Esta parábola é, em seguida, explicada aos discípulos mais próximos. Nesta parábola Jesus nos ensina que é necessário semear a todo instante para que a semente brote.

Para brotar a semente deve ser lançada. Jesus propõe aos seus ouvintes uma parábola. Nela, uma personagem conhecida do povo da época, um semeador, começa a lançar sementes no caminho. Algumas delas caem a beira do caminho, outras onde havia pouca terra, outras ainda entre os espinhos e, por fim, outras em terra boa.

Um fato que chama atenção nesta parábola é que o semeador semeou sem olhar a terra. Embora rudimentar, já existia nos tempos de Jesus o arado. Já se sabia o solo certo e bom para semear. Na região da Palestina é comum o solo rochoso ou com pouca terra, onde é difícil semear. Mas o semeador não olha o solo, ele semeia, ele tem esperança de que a semente irá brotar. Não há restrição onde semear, ela deve ser lançada com esperança, certo de que encontrará um solo bom, mesmo que encontre um solo rochoso.

Assim deve ser a vida do cristão, um semear constante da Palavra de Deus. Não importa a quem. É necessário semear. Por vezes, pensamos que alguém nunca ouviria a Palavra, ou que alguém não é digno de ouvir. Jesus nos mostra que todos devem receber a Palavra, mesmo que não aceitem. Todos devem ter a oportunidade de conhecer a Palavra de Deus e, você e eu, somos responsáveis por esta missão. Nós somos os semeadores a lançar a semente da Palavra nos corações das pessoas. Lançamos por palavras, atitudes, gestos. Lançamos testemunhando.

Para lançar é preciso sair. Por isso, o primeiro ensinamento desta parábola está antes mesmo de Jesus proferi-la: ele sai de casa e vai de encontro ao povo. Nem todos os que estavam ali tinham o coração aberto para receber a Palavra. Alguns, quem sabe, desejam apenas ver quem era esse Jesus que tanto se falava. Outros, quiçá, tinham a esperança de ver algum milagre. Mas quem sabe não tinha ali gente com o coração aberto, pronta para receber a Palavra sendo semeada por Jesus. Portanto, quando Jesus fala da beira do caminho, do solo com pouca terra, dos espinhos e da terra boa, ele está falando daquelas pessoas sentadas ali. E neste momento ele está falando de mim e de você. Como está o nosso coração? Estamos dispostos a receber a semente da Palavra em nosso coração hoje?

Lembre-se: para a semente brotar a terra deve ser boa. Não basta apenas ouvir a Palavra, ela deve fazer diferença em nossas vidas. Você e eu podemos ser os maiores estudiosos de Bíblia, teólogos e teólogas de renome, se a Palavra for objeto de estudo para nós e não fizer diferença em nossas vidas, de nada adiantará. Por isso Jesus explica a parábola do semeador mostrando que cada solo corresponde a um tipo de coração.

O primeiro solo é o coração que não corresponde à semente (v.19). Tal coração está fechado, duro como pedra. Qualquer tentativa de lançar a semente nele é logo rechaçado, rejeitado. Este coração, diz Jesus, é visitado pelo maligno que trata logo de tirar o que foi semeado. Ele está a beira do caminho não por estar fora dos planos de Deus, mas porque o maligno investe contra ele constantemente, impedindo-o de receber a semente e esta frutificar. Mas não devemos desistir de semear, como já dissemos, devemos semear com esperança, sempre, crendo que a semente frutificará, mesmo caindo à beira do caminho.

O segundo solo é o coração impulsivo (v.20,21). Este é tipo comum de coração. Aquelas pessoas que recebem a Palavra com o mesmo vigor que a abandonam. Recebem com alegria a semente, mas na primeira tentativa fracassada de encontrar água, desistem. Muitos de nós somos assim, ouvimos a mensagem do Evangelho e nos motivamos, mas vindo a primeira tempestade, logo desanimamos, desistimos, abrimos mão e deixamos de seguir a Palavra. Mesmo a estes que desanimam diante do primeiro obstáculo nós devemos continuar semeando a Palavra.

O terceiro solo é o coração ocupado em outras coisas (v.22). Este é o mais comum que existe em nosso meio. Se fizéssemos uma pesquisa rápida agora para saber quem tem a agenda cheia de compromissos, veremos que todos estamos atolados de afazeres. Ter uma agenda cheia de compromissos não é o problema, o problema é quando estes compromissos tomam o lugar do Reino de Deus. Então passamos a dar prioridade a outras coisas, como o dinheiro ou o sucesso pessoal e profissional. Antes de tudo isto deve vir o Reino de Deus. A prioridade de nossas vidas é servir a Deus em nosso lar, em nossos compromissos e inclusive aqui na Igreja. Portanto, a Palavra deve ser semeada àqueles que são sufocados pelos compromissos e interesses da vida que não são os interesses de Deus.

O quarto é último solo é o coração bom (v.23). Este é o solo mais raro de se encontrar hoje em dia. É difícil encontrar cristãos de fato. Pessoas que negam suas vidas em favor do Evangelho, que testemunham com palavras, gestos e atitudes, que procuram viver sempre de acordo com a vontade de Deus sabendo que elas mesmas são falhas e pecadoras, pessoas humildes, que busca o Reino de Deus em primeiro lugar. Este coração bom dá frutos, diz Jesus que ele rende cem por cento, setenta por cento, trinta por cento, mas rende, frutifica, faz crescer o Reino de Deus. Assim devemos ser nós, corações bons a receber a Palavra de Deus e fazê-la frutificar, ou seja, tornar esta Palavra em atitudes, gestos, testemunho de vida para que outras pessoas possam receber a semente da Palavra também.

Concluindo. Em dias de correria e agitação, Jesus nos convida a fazer sua obra, semeando a Palavra a todo instante, para isto, ele pede que tenhamos esperança de que a Palavra dará frutos, nós devemos olhar com esperança para aqueles a quem testemunhamos. Jesus também nos convida a ter o coração bom, ou seja, disposto a ouvir a Palavra de Deus e aprender dela. Precisamos frutificar, isto quer dizer que precisamos não apenas ter o coração disposto a ouvir a Palavra, mas as mãos dispostas a trabalhar, testemunhado esta Palavra a todo instante.

Que Deus nos abençoe.

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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