O joio e o trigo, o infiel e o fiel
São Mateus 13.24-30, 36-43 
No texto que lemos, Jesus conversava com seus discípulos a respeito da parábola do semeador quando propõe uma nova parábola: a do joio e do trigo.
Por muitas vezes esta parábola foi usada pelos cristãos para se separarem do convívio de outras pessoas e também deixar de lado as coisas que não pertencem a Igreja. Mas, o que será que Jesus quer nos ensinar com esta parábola?
Vamos aprender que Jesus lança a semente boa e o inimigo lança a semente má. Ao explicar aos discípulos esta parábola, Jesus deixa bem claro que quem lança a boa semente é o Filho do Homem, ou seja, ele mesmo. A boa semente só pode ser semeada pelo Filho do Homem.
Nós, como Igreja de Cristo, somos chamados a dar os frutos desta boa semente no mundo. Somos intimados a amar o nosso próximo como a nós mesmos, a perdoar e ser perdoado, a orar e interceder pelos que nos perseguem, a viver o Evangelho de forma plena. Mas não é fácil viver o Evangelho em nossos dias. Não é fácil amar, quando o ódio e o rancor estão em nossos corações. Não é fácil pedir perdão, mais difícil ainda é perdoar. Não é fácil orar a Deus pedindo que ele abençoe aquela pessoa que nos fez mal, que nos persegue no trabalho, na vizinhança, na escola. Não é fácil viver os valores do Evangelho em nossos dias. Mas Jesus nos alcançou e nos fez servos seus, para servirmos com os frutos do Evangelho ao nosso próximo.
Jesus afirma aos seus discípulos que o inimigo veio para lançar a má semente no campo daquele que semeia a boa semente.
Esta afirmação de Jesus deve nos deixar alerta. Devemos estar atentos a toda e qualquer investida do inimigo. Não podemos baixar a guarda, pois ele vem para semear a má semente a todo instante. Por vezes, esta má semente se encontra no meio da Igreja, por vezes, ao nosso redor, em nossa família e trabalho. Mas o inimigo não descansa, pois ele deseja desviar os eleitos de Deus da sua missão primordial, que é anunciar a salvação que temos em Jesus. Portanto devemos estar atentos para que não nos desviemos da nossa principal missão como servos de Deus.
Quanto àqueles que julgamos serem o joio, devemos nos lembrar que o fruto da má semente será arrancado por ordem de Jesus pelos anjos e não por nós. É isto que Jesus afirma aos seus discípulos. Ele dará ordem aos seus anjos e eles ajuntaram o joio e o queimarão.
É de Jesus a tarefa de separar o joio do trigo. Ao longo da história do cristianismo, temos visto pessoas e instituições se valerem desta parábola para justificarem a expulsão de pessoas do convívio com a Igreja ou, também, para se separarem do convívio social. Mas não compete a nós, humanos, esta tarefa, compete aos anjos que serão ordenados por Jesus no dia do juízo final. Justamente por não ser uma tarefa nossa, mas dos anjos a mando de Jesus, é que nossa preocupação não deve ser com quem é o joio, ou qual o comportamento ou modo de vida o joio leva que o diferencia do trigo, mas sim a nossa preocupação deve ser a de permanecermos fiéis na Palavra, conhecedores da Palavra de Deus, para que no dia do juízo, sejamos escolhidos e não lançados na fornalha.
Lembre-se, o joio não é arrancado agora, pois pode fazer com que se perca o trigo. Por isso Jesus afirma que ele só será arrancado no final. Por mais louco que isso possa parecer, Jesus quer o joio no meio do trigo, para que o trigo cresça forte. Jesus quer o infiel ao lado do fiel, para que o fiel cresça em amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e no domínio próprio, que são os frutos da boa semente que é lançada por Jesus, que são os frutos do Espírito, descritos em Gálatas 5.22-23. È para exercer todos estes frutos com o infiel, é para dar o bom testemunho àqueles que estão distantes da vontade de Deus.
Concluindo. Jesus é quem lança a boa semente. Esta boa semente é lançada por ele, pois ele escolhe os que são seus. Assim como Jesus lança a boa semente, o inimigo também lança uma semente, só que uma má semente. Na parábola, Jesus mostra que o campo onde o joio e o trigo estão é o mundo. Nós estamos neste campo, cabe a nós vivermos de modo digno, apresentando os frutos da boa semente, crescendo com Jesus, e firmes na promessa de que pertencemos ele.
Que Deus nos abençoe.
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo







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