Foto polaroid
(Isabella Taviani)
Sabe o que me cansa?
São essas suas palavras
Que eu tenho que arrancar
Do meio da tua garganta, criança
Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito, perfeito
Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui, morrendo
Desaparecendo como uma foto de Polaroid
Morro mais ou morro menos, tanto fez Você não veio mesmo
Sabe o que me mata?
São os teus olhos de vidraça
Fosca, embaçada a jato de areia
De onde não mina um lágrima
Teu olho turmalina, pedra muito negra
Como esse tal amor por mim
Sabe, eu odeio
Adorar teu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim, loucamente
Quando estou aqui, presente
Sentir as tuas pernas trêmulas
Depois do prazer satisfeito
E é por isso que eu não aceito, eu não aceito não
Ver você assim, retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias
Por essa covarde covardia
Muito menos pagando o preço dos nossos pecados
Nem se fosse dez centavos





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