terça-feira, 15 de julho de 2008

Caro Chico

Lá se vão quase 3 décadas de sua fita e eu estou aqui, as notícias ainda não são animadoras é verdade, mas nas mal traçadas linhas quem sabe, posso dar-te um painel da realidade.

Aqui na nossa terra ainda tão jogando futebol (mal é verdade), ainda tem muita samba, muito choro e muito rock’n’roll, mas enfim, quero lhe dizer mesmo é que a situação continua preta. Aliás, não posso mais dizer que está preta, pois os negros podem reagir e acusar-me de discriminação. Por falar em discriminação, caro Chico, cuidado com o que diz sobre um homossexual, você pode ser acusado de discriminação. E pensar que um dia eles já foram minoria...enfim, o que eu quero lhe dizer mesmo é que a situação não ta fácil.

O presidente, que já foi militante e da esquerda, hoje anda pulando pelo centro em direção à direita. Por falar em esquerda e direita, a educação vai mal, dizem até que nossos adolescentes não sabem sequer escrever, que os professores falam mal e escrevem pior. Por falar em pior, talvez você vá até chorar, mas caro Chico, a situação da música é decadente, tem bonde, tem dancinha...ai que saudade d’ ôce bom Chico! Por falar em saudade, o que anda deixando saudade mesmo é a saúde, saiu do país e nunca mais voltou! Pobre de nós Chico, o sistema está realmente falido! Por falar em falido, dizem que a economia agora vai bem e que haverá um tal de “espetáculo do crescimento”! Até agora não marcaram nem a data nem o local do tal espetáculo, mas dizem que viria lá do oriente, com um certo acordo com os chineses. Dizem que os chineses são ótimos circenses, acho que é circo que vem por aí. Mas como eu disse antes, escrevi pra dizer que a situação está difícil!

Ah Chico, não posso deixar de falar da fé, afinal, ela é cantada por você também! Dizem que a igreja está crescendo, os fieis voltando. Só não descobrimos para onde. Agora padre faz show, pastor faz show, bispo não é exclusividade de católico e inventaram até um novo apóstolo. Pra viver a fé de hoje precisa de muita fé!

O telefone continua sem graça. Para ajudar, inventaram um tal de telefone móvel, o celular, pra ir com você a todo lugar e lembrar que você tem mais uma conta pra pagar. Só tem que tomar cuidado com duas coisas: clonar e grampear! Se é fixo grampeiam, se é móvel, clonam. Por falar em clonar, dizem que isso aí é você fazer uma cópia idêntica de outra pessoa. Os cientistas dizem que já fizeram com ovelha e vaca, mas com gente está a maior confusão, tem gente a favor e contra. Por falar em contra, o presidente falou que ia contra o desemprego e a fome, mas até agora, só acabou com o desemprego nos altos escalões em Brasília e com a fome na equipe dele. E dá-lhe churrasco! Por falar em churrasco, o presidente andou sendo acusado de beberrão, mas tudo bem, ele deu um Cálice para o jornalista e tudo se resolveu.

O correio até que melhorou, mas não podia ser diferente, depois que inventaram um tal de correio eletrônico as cartas diminuíram, mas ainda assim as tarifas, essas sim, são ariscas! Mas quem anda arisco mesmo é um tal de norte-americano. Invade nação, mata cidadão e destrói cidades. Tudo em nome da paz! Chico! Eles matam em nome da paz!

Como você viu a comunicação não vai nada bem, por falar nisso, incluo aí a televisão também. É tanta bunda, violência, infidelidades e besteiras mil que até noticiário ficou fútil de tão óbvio. Por falar em fútil, inventaram um tal de Big Brother para divertir. Um bando de doidos trancados numa casa para ficarem famosos e ricos. É Chico, o que eu tento te dizer é que a coisa aqui ta feia! Por falar em feia, nem pense em nascer feio hoje! Se você não é belo, não tem valor, se não tem valor, o que você está fazendo aqui?

Por fim, caro Chico, espero que esta lhe encontre bem, não quero me prolongar, só quero lhe dizer que a Roda Viva mudou de nome e que o Cálice ta querendo voltar, embora já tenha esquecido o caso, pra variar. Enquanto não me respondes vou escutando uma Ópera do Malandro, que é pra ver se eu acordo com um pouco mais de consciência, que afinal, está em falta por aqui. Um abraço para os seus, que os meus mandam lembranças. Adeus.

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