segunda-feira, 16 de junho de 2008

Justiça de Deus: paz e esperança
Romanos 5.1-5

O mundo busca paz. Em meio a uma realidade de violência crescente, diferenças sociais, raciais, religiosas e sexuais cada vez mais latentes e incisivas, o mundo busca uma forma de harmonizar os sentimentos, direitos e vontades de cada classe, etnia e gênero. Uma paz que pode ser traduzida em harmonia e manutenção de situações de conforto e benefícios próprios. A esperança do mundo é pela paz.

O texto que lemos começa afirmando que temos paz com Deus, pois somos justificados mediante a fé. Termina afirmando que a esperança não confunde, antes é fruto da experiência, que é fruto da perseverança que é por sua vez é fruto da tribulação.

Diante do cenário que o mundo nos apresenta, diante deste texto, o que podemos entender por Justificado? Como compreender o que é a paz? Como definir a esperança que devemos ter?

Convido você a conhecer a justificação, e assim compreender os frutos desta para nós hoje.

O primeiro fruto é que A justificação nos dá paz
O texto nos fala que somos justificados. A palavra grega usada neste texto para justificados, DIKAIOTENTES, remete, em seu significado, a outra palavra, DIKAIOSUNE, que significa o modo equânime, igual, como Deus trata cada ser humano. Esta definição é de suma importância para compreendermos a grandeza do amor de Deus para nossas vidas, pois é por meio da fé que somos feitos justos perante Deus e temos assim acesso à recompensa maravilhosa da paz. Portanto, Deus oferece sua paz de forma igual para todos os seres humanos, sem restrição alguma, nem de religião.

Cabe aqui uma pergunta: se pelo ato de justiça de Deus nós temos paz, que paz é esta que nos é oferecida? É a paz que nos mantém firmes e nos conduz à glória de Deus. Uma paz que não é anunciada em jornais, não é fruto do discurso dos políticos, não é produzida por nenhuma sensação humana, não é fruto de nenhum merecimento ou esforço humano, mas é oferecida de modo igual a todos os homens por meio da fé para caminharmos em direção à glória de Deus.

Como essa paz se dá nas nossas vidas? Através do desenvolvimento de nossa fé, mantendo-a firme na graça de Deus, sem desviar nossa atenção e nosso foco de quem nos dá a paz verdadeira. Isso nos faz lembrar as palavras de Jesus Cristo no Evangelho de São João quando prometia a vinda do Espírito Santo: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo 14.27). A paz que temos com Deus, quando somos justificados, é exatamente essa, a paz que o mundo não nos dá, a paz que faz com que não nos atemorizemos nem tenhamos medo das tribulações. É a paz de enfrentar os problemas de relacionamentos sem temer a rejeição ou os conflitos. É a paz de enfrentar a escassez de dinheiro sem temer as dívidas. É a paz de passar pelo vale da sombra da morte e nada temer.

Esta paz que, é fruto da graça de Deus na qual devemos nos manter firmes, nos permite gloriar-nos, ou seja, alegrar-nos na glória de Deus.

Mas ela produz mais que a paz com Deus, ela nos dá um segundo fruto, assim, A justificação nos dá esperança
A alegria na glória de Deus, fruto da paz, fruto da graça e justiça, nos dá a esperança. A esperança é fruto da alegria no sofrimento, na tribulação. Segundo o texto que lemos, a tribulação produz perseverança que produz experiência que produz esperança. Notem que a esperança é conseqüência de uma serie de outros fatos. A tribulação nos dá perseverança, esta nos dá experiência que gera a esperança. Vamos nos deter um poço nesta seqüência.

A palavra TLIPSIS, que no texto é traduzida por tribulação, também pode ser entendida por opressão, aflição, circunstâncias difíceis, problemas e dificuldades. Qualquer que seja a situação difícil, a tribulação não é forte o suficiente para abalar a paz que temos com Deus, por isso, a tribulação não produz conseqüências maléficas, antes, produz perseverança.

A palavra UPOMONE, que no texto é traduzida por perseverança, também pode ser entendida como paciência, firmeza e fortaleza. Qualquer situação difícil nos torna mais pacientes, mais firmes no que cremos, nossa fé é como uma fortaleza inabalável. Por isso, quanto mais tribulações passamos, mais pacientes e perseverantes ficamos o que nos dá experiência.

A palavra DOKIME, traduzida no texto por experiência, tem um significado muito interessante: a qualidade de ser aprovado. Também pode ser traduzida por caráter. Ora, uma pessoa de bom caráter não e justamente aquela que é aprovada em suas condutas e palavras? Portanto, nós também seremos aprovados cada vez que experimentarmos a paz de Deus ao passar pelas tribulações.

Por fim, a experiência produz esperança. A palavra ELPIS, traduzida no texto por esperança, também pode ser entendida como expectativa, mas é entendida, principalmente, como esperança cristã. Portanto, quando temos paz com Deus passamos pelas tribulações perseverantes, sendo aprovados, ou seja, adquirindo experiência e como fruto disso temos a esperança que não confunde.

A esperança cristã não é a espera por algo material, para benefício próprio, conquistas pessoais manutenção de situações de conforto ou a espera por algo mágico. A espera do cristão é pela glória futura, que já experimentamos em parte hoje, pois o amor, que é derramado em nós pelo Espírito Santo, se manifesta em nossas vidas pelo ato de nos tornar justos, nos dar a paz e a esperança. Ora, a esperança não nos confunde porque é fruto do amor, por isso é claro para nós o que esperamos: o Reino de Justiça, o Reino de Amor, o Reino de paz, o Reino de Deus. Essa é a nossa esperança, que se manifesta em cada ato de amor de cada homem, sem distinção, para com seu semelhante; manifesta-se em cada ato de cuidado e zelo para com o meio ambiente; manifesta-se no viver diariamente o Evangelho.

Concluindo.Deus oferece a cada um de nós oportunidade igual de acesso à paz e a esperança. Qual a barreira que nos impede de hoje viver com a paz que não se vende nem se oferece no mundo? O que nos impede de hoje nos alegrarmos na glória de Deus? O que nos impede de hoje termos esperança no Reino de Justiça, no Reino de Amor, no Reino de paz? O que nos impede de termos esperança na instalação completa do Reino de Deus?

Deixemos de lado o medo e a insegurança e vamos desfrutar da justificação de Deus que é a manifestação de sua Justiça em nossas vidas nos dando paz e esperança. Portanto, nossa esperança não é igual a do mundo, pois o mundo espera a paz, mas nós, vivemos a paz e esperamos a vinda do Reino de Deus por completo!

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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