Satisfeito e tranqüilo
Certo homem, chamado João, era dono de um mercado. O único mercadinho da região, o Mercado do João. Em seu bairro, afastado do centro da cidade, João era conhecido como um homem grosso e arrogante. Contava vantagem perante os vizinhos e clientes de tudo o que tinha e fazia. Pensava ser essencial naquele bairro e para aquelas pessoas. Pensava ser um homem poderoso. Sonhava com suas conquistas financeiras, com seu sucesso como dono do único mercado do bairro.
Certo dia João recebeu em sua casa uma visita inesperada: Clarice, sua irmã, chegou com as malas nas mãos e com uma criança recém-nascida no colo. Não tinha onde morar, pois seu barraco fora demolido pelo dono do terreno que eles tinham invadido. Sem saber o que fazer com a irmã e com o sobrinho, João acaba recebendo-os em sua casa. Acontece que Clarice era uma doceira de mão cheia e, passado um mês, propôs ao João vender seus doces no mercado do irmão em troca da moradia que recebia. Sabendo do talento da irmã, João não teve dúvidas e aceitou a proposta. Ao receber o sim do irmão, Clarice disse vamos agradecer a Deus por isso João, e pedir que ele nos abençoe nessa nova fase, que meus doces agradem a vizinhança e te dê retorno de freguesia e de alegria. Sem entender direito, já que não botava os pés numa Igreja há anos, João só ficou olhando a irmã pedir a Deus que abençoasse sua nova jornada.
Passado alguns meses, Clarice já havia percebido o comportamento de seu irmão e como ele tratava seus clientes. Em contra partida, João havia percebido como Clarice era atenciosa e educada com todos, do mais humilde ao mais bem de vida. Certa noite, depois de um dia de trabalho, João pergunta a Clarice:
— Por que você trata tão bem esse povo que não tem nada? Se quiser ganhar dinheiro tem que ter ambição, não ficar bajulando esses pobres.
— Mas João, eu não tenho porque ser arrogante ou tratar mal as pessoas. Tudo que tenho não me pertence, pertence a Deus. Ele me deu tudo, o que tenho que fazer é cuidar bem do que ele me deu. Veja João, na Bíblia tem um Salmo que eu gosto muito, o 131, veja o que ele diz: Ó SENHOR Deus, eu já não sou orgulhoso; deixei de olhar os outros com arrogância. Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias, que estão fora do meu alcance. Assim, como a criança desmamada fica quieta nos braços da mãe, assim eu estou satisfeito e tranqüilo, e o meu coração está calmo dentro de mim. Povo de Israel, ponha a sua esperança em Deus, o SENHOR, agora e sempre! Percebe João, eu não tenho porque ser arrogante, pois Deus me faz satisfeita e tranquila, ele me dá aquilo que preciso, nem a mais nem a menos, e mesmo que eu tenha dificuldades, como no dia em que derrubaram meu barraco, eu confiei nele e ele me disse para vir te procurar.
Eles continuaram horas conversando sobre como pode Deus abençoar e como Deus sustenta a vida das pessoas. Clarice explicou ao irmão tudo, com muita paciência. Mais tarde, ao se deitar na cama com seu filho nos braços, Clarice pode ver o vulto de João na porta de seu quarto e ouviu seu suspiro. Ela foi dormir sabendo que o irmão não mudaria de atitude da noite para o dia, mas que a Palavra de Deus o tinha incomodado naquela noite, ah, disso ela tinha certeza!
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo







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