Crônica de uma terceira idade fútil
Estou sentado num café, no bairro do Tamboré, Barueri, São Paulo. Na mesa da frente oito respeitáveis senhoras exibem seus cabelos brancos, loiros oxigenados, acajus pintados. Rugas devidamente cuidadas com cremes, perfumes que se confundem deixando o ar doce e enjoativo.
Elas conversam. E como falam. O assunto é viagem. Não querem mais viajar sem ser em grupos fechados.
- Viagem por conta própria é coisa pra essa juventude!
Vocifera uma delas, como se defendendo uma questão política.
A conversa continua, muda o rumo. Logo cai no assunto preferido: filhos.
- O meu acaba de chegar de Shangai!
Diz uma delas erguendo a sobrancelha.
- Um lugar divino, a minha filha voltou de lá faz um mês.
Concorda outra, com um sorriso no canto da boca.
Observo a este debate de futilidades maternas, onde o sucesso dos filhos e a tintura do cabelo determinam o ritmo das risadas e dos olhares.
Há algo de falso e irreal neste mundo de senhoras caucasianas da classe média alta paulista. Exibem suas crias, exibem seus acessórios. Valorizam suas conquistas sociais. Não se importam com o mundo.
- Minha neta me disse que quer ser professora. Coisa de pobre! Disse a ela para esquecer isso. Meu filho me censurou. Eu, não nego, é coisa de pobre!
Uma delas me lança um olhar como que incomodada com minha solitária presença de fronte ao circo por elas armado. Elas se levantam e ao longe se escuta a balburdia dessas respeitáveis caucasianas da sociedade.
Fúteis, tanto quanto a juventude que segue seus passos.
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo







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