sexta-feira, 14 de março de 2008

Jesus é a ressurreição e a vida
São João 11.1-45

A nossa vida está cada vez mais competitiva. A cada dia, somos levados a tomar decisões para mantermos nossos empregos e assim sustentarmos nossas famílias.

Tudo estaria calmo, não fosse o fato de termos que gerenciar a vida profissional com os problemas pessoais e familiares. Chega uma hora em que ambos apertam e parece impossível resolver para que lado caminhar.

Impossível. O quê de impossível você tem enfrentado? É impossível dar atenção em casa e dar conta do trabalho na empresa! É impossível fazer meu marido ou minha esposa feliz! É impossível perdoar alguém.

Hoje, vamos compartilhar uma história onde existiu um impossível que deixa todos esses, como diria a expressão popular, no chinelo! O impossível era vencer a morte!

Estamos a caminho de Jerusalém, para a última semana de Jesus na terra. Antes de entrar em Jerusalém, Jesus estava na região da Peréia. Ele havia sido rejeitado por alguns no lado judeu do rio Jordão e o atravessara por uma questão de segurança.

Jesus estava distante de Betânia da Judéia, um pequeno vilarejo ao lado de Jerusalém. Ele estava em outra cidade, também chamada Betânia, mas localizada na Peréia. É nesta cidade que chega um mensageiro com uma notícia para Jesus: Lázaro, irmão de Marta e Maria, estava enfermo. Senhor, o seu querido amigo Lázaro está doente! Numa primeira leitura, esta frase pode não parecer tão incomum. Pessoas adoecem com freqüência. Não fosse pela resposta de Jesus, esta notícia seria recebida com uma certa preocupação mas, em seguida, seria deixada de lado.

Quantas notícias como esta levamos realmente a sério? Quantas pessoas conhecemos que estão doentes, não apenas fisicamente ou mentalmente, mas, principalmente, espiritualmente. Quantas pessoas conhecemos que estão enfermas e necessitam de Jesus em suas vidas? Que tal sermos instrumentos para levar Jesus até elas?

Continuando a história, Jesus responde: O resultado final dessa doença não será a morte de Lázaro. Isso está acontecendo para que Deus revele o seu poder glorioso; e assim, por causa dessa doença, a natureza divina do Filho de Deus será revelada. Nesta resposta, Jesus revela que ele não vê a questão momentânea, mas vê além e, neste caso, ele enxerga o que está após a doença e a morte de Lázaro. Para quem ouviu, pode parecer que Jesus afirmava que Lázaro não morreria por conta da doença, mas como já dissemos, Jesus enxerga além da doença e da morte. Ao contrário do que seria comum, Jesus ainda permanece dois dias em Betânia da Peréia após receber a notícia. Por que permanecer ainda dois dias ao invés de já sair em direção à Betânia da Judéia, que ficava cerca de dois a três dias de viagem de Betânia da Peréia? Ora, se a doença e morte de Lázaro seria revelado o poder glorioso de Deus, nada como dar o tempo necessário para que Deus mesmo atue da melhor maneira, assim Jesus permanece dois dias em Betânia.

Será que temos esta disposição de olhar além dos problemas e dificuldades? Quantos de nós exercita a sua fé a ponto de encarar os problemas da vida olhando além do que se vê à sua frente? Não seria mais fácil entregar-se aos problemas a ter que enfretá-los? Não! Quem enxerga além dos problemas vê que há esperança, e a esperança é Jesus, ele tem o melhor para nós.

Voltando à história. Após dois dias, Jesus decide que é hora de voltar para Judéia. A primeira reação dos discípulos é de temor. Não fazia muito, dois dias ou três dias, eles saíram da Judéia, pois o povo queria apedrejá-los. Agora, Jesus fala em voltar para lá. O temor dos discípulos é rebatido com uma sentença enigmática, mas de entendimento direto. É preciso trabalhar. Enquanto podemos, é preciso trabalhar para Deus e para trabalhar é preciso estar disposto a caminhar a jornada de doze horas diárias de trabalho enquanto ainda temos luz para nos guiar! Assim, Jesus lança aos discípulos a afirmação, primeiro não literal e depois literalmente, que Lázaro havia morrido. Ao falar que Lázaro adormecia Jesus não estava usando uma nova linguagem. As escrituras registram freqüentemente esta comparação do sono com a morte, Gênesis 47.30, 2Samuel 7.12, São Mateus 27.52, Atos 7.60 e 1Tessalonicensses 4.13 são exemplos disto, logo não era difícil entender que Lázaro havia morrido, mas os discípulos pensavam que ele estava repousando. Foi preciso Jesus intervir e afirmar literalmente que Lázaro havia falecido. Tomé, ainda com o respirar dos apedrejadores em sua mente, conclama os demais a irem com ele e morrer com Jesus neste retorno à Judéia.

Somos chamados a trabalhar pelo Reino de Deus. Quantos de nós estamos dispostos a cumprir essa missão? Não precisamos largar nossos empregos nem fazermos cursos ou treinamentos para isso. Podemos trabalhar pelo Reino de Deus onde estamos e com o conhecimento que temos. Trabalhamos para o Reino testemunhando, em atitudes e palavras, aquilo que Deus fez e faz em nossas vidas. Na história, Tomé decide encerar o desafio de acompanhar Jesus, se necessário, até o apedrejamento. Nós estamos dispostos a acompanhar Jesus? Estamos dispostos a não concordar com aquilo que falam e fazem por aí e nos impõe como sendo o certo para nós, mas na verdade nos afasta de Deus, como, por exemplo, os conceitos de família deturpados em telenovelas? Quem está disposto a discutir esse assunto com os amigos de trabalho, de dizer que é possível ter uma família feliz com Jesus no lar?

Após dois ou três dias de viagem, Jesus está próximo de Betânia da Judéia. Antes de entrar na vila, Jesus teve encontrou-se com as irmãs de Lázaro.

O primeiro de Jesus foi com Marta. Esta soube, provavelmente por alguém enviado pelo próprio Jesus, que provavelmente não queria ir até a casa de Marta e Maria, que o Mestre estava próximo da cidade. Ao saber da notícia, Marta levanta-se e corre em direção ao mestre. Maria, porém, ficou em casa. Ao encontrar-se com Jesus, Marta despeja toda sua angústia aos pés dele: Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Um desabafo de desespero e envolto pela certeza de que somente Jesus poderia ampará-la: Deus lhe dará tudo o que o senhor pedir a ele. Jesus, compreendendo o desespero de Marta, antecipa-lhe o que ele veio fazer em Betânia da Judéia. Marta, talvez envolvida com os sentimentos de perda do irmão e o de se encontrar com o Mestre, sua esperança, não consegue compreender que Jesus ressuscitaria Lázaro. Eu sei que ele vai ressuscitar no último dia! Sua afirmação revela sua incapacidade emocional de compreender que Jesus ressuscitaria seu irmão naquele dia e não apenas no último dia!

Então Jesus afirmou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso? — Sim, senhor! — disse ela. — Eu creio que o senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo. A afirmação de Jesus e a declaração de fé de Marta se complementam. Jesus é a ressurreição e a vida, ou seja, ele é o único que nos dá a vida depois que ela não existe mais. Quem é aquele que é capaz de vencer a morte senão o Filho de Deus, o Messias?

Como é difícil para nós crermos que Jesus é capaz de mudar nossa realidade! Parece impossível que aquele problema se resolva. Parece impossível que a minha família viva feliz. Parece impossível que meu emprego seja justo. Parece? Jesus pode tornar realidade tudo que nos parece impossível. Ele veio para tornar possível o impossível, segundo a vontade de Deus! Você já confessou, hoje, que Jesus é o Cristo, o Messias? Você o confessa diariamente?

Marta retira-se da presença de Jesus e chama Maria, sua irmã. Ao sair de casa, Maria atrai os presentes, pessoas que vieram de Jerusalém, três quilômetros de Betânia, para consolar as irmãs. Estas pessoas seriam testemunhas do milagre.

O encontro de Maria com Jesus inicia com a mesma frase de Marta: Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Jesus viu Maria chorando. Também com ela os demais presentes. Jesus comove-se e aflige-se com elas e com os presentes. Pede para ir ao túmulo de Lázaro. No caminho, Jesus chora. O verbo chorar, no original EDAKRUSE, ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. O verbo utilizado aqui difere do usado para descrever o choro de Marta, Maria e os demais, a saber KLAIO. O choro de Jesus não foi um lamento pela morte nem o choro comovido, mas foram lágrimas de amor por Lázaro, Marta, Maria e os demais.

Por um instante, aqueles judeus ali presente, presenciam o amor de Jesus por Lázaro e suas irmãs e se questionam se ele não poderia ter salvado Lázaro da morte. Não conseguiam enxergar além da doença e da morte. Jesus, sofrendo com eles, enxergava além da doença e da morte.

Numa sociedade cada dia mais individualista, onde cada vez mais o que importa é o seu sucesso e os outros são concorrentes, será que temos chorado com os que choram? Será que temos nos importado com as pessoas e não com o que elas tem a oferecer? Será que temos olhado para nossos colegas de trabalho como concorrentes ou como potenciais alvos da graça de Deus? O que temos feito para consolar nosso próximo? Pode parecer loucura, mas as pessoas estão cada vez mais distante de suas famílias, seus sonhos e de Deus por conta da massacrante rotina de vencer ou vencer! Tem que ser o melhor, tem que vencer a concorrência. A pressão é alta e os que poderiam ajudar agora são inimigos! Não sabemos mais amar o próximo. Não sabemos mais esperar o tempo de Deus e fazer a nossa parte, ou seja, amar o próximo e trabalhar corretamente. Não enxergamos além da necessidade de vencer. Não vemos que após as batalhas para a vitória, teremos famílias e vidas despedaçadas. É preciso mudar de atitude!

Diante daquela cena, Jesus pede que tirem a pedra da frente do túmulo. Marta, ainda tomada pela confusão de sentimentos, deixa-se envolver pela sua humanidade e alerta a Jesus que o corpo já não deveria cheirar bem. Jesus trata de trazê-la de volta a realidade e a lembra de sua declaração dada há pouco.

Quantas situações enfrentamos em que somos chamados a remover as pedras que impedem que Deus atue em nossas vidas? Que pedra está na sua frente agora? Inveja, mentira, um relacionamento quebrado por mágoas? É preciso remover as pedras. É o nosso passo, é a nossa função, resolver os problemas para crescer e deixar Deus atuar em nossas vidas.

O que se segue é uma oração onde Jesus afirma que ele e o pai estão unidos e que o filho é enviado pelo pai. Foi preciso Jesus orar em voz audível? Sim! Assim ele afirma a todos os presentes que somente ele, o filho de Deus, poderia ser capaz de vencer a morte.

Por vezes nos esquecemos disto. Jesus veio para morrer pelos nossos pecados. Costumamos falar com Deus e pedir a ele que mude nossas vidas, nossos relacionamentos, mas dificilmente louvamos e agradecemos por Jesus. Somente o filho de Deus é capaz de nos dar a vida eterna, a nossa atitude deve ser a de servir a Deus e louvá-lo a todo instante por tão maravilhosa graça.

Lázaro, venha para fora! O grito de Jesus ecoa nos corações dos presentes e aos poucos começa a sair Lázaro, envolto em panos e tiras.

Jesus chama Lázaro da morte para vida. Um dia, quando completou-se o tempo certo predestinado por Deus, Jesus olhou para nós e gritou: Giovanni, vem! Luzia, vem! Cristiane, vem! Renato,vem! Ele chamou a cada um de nós pelo nome e nos tirou do túmulo que era nossa existência e nos deu nova vida. Hoje, temos essa oportunidade. Sempre que enfrentarmos situações em que parece não haver saída, devemos nos lembrar que Jesus nos tirou da morte para a vida!

Muitas pessoas que tinham ido visitar Maria viram o que Jesus tinha feito e creram nele. O último milagre de Jesus. Um prenúncio do que haveria de acontecer em Jerusalem daqui alguns dias, um testemunho da ação de Deus diante do impossível.

O que temos feito para testemunhar o milgre da vida eterna? Como temos mostrado aos que convivem conosco que Deus é capaz de mudar nossa realidade e a realidade de quem nele crê? A hora é agora, Igreja, enquanto ainda temos a luz de Jesus a iluminar nossos passos!

Concluindo. Jesus é a ressurreição e vida. Desta passagem da ressurreição de Lázaro devemos reter esta afirmação. Somente Jesus tem o poder de vencer o impossível. Ele venceu a morte e nos deu vida. Uma nova vida, para que possamos viver de maneira digna, anunciando a nova vida que ele oferece a todos. Anunciando pelo testemunho.

É tempo de anunciar que cremos no Deus dos impossíveis, aquele que dá vida onde antes havia morte!

Igreja Presbiteriana Independente de Grajaú, vem! O Mestre está chamando! Vamos viver para servir a Deus, hoje e sempre.

Que Deus nos abençoe.

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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