sexta-feira, 7 de março de 2008

Eu era cego e agora vejo
São João 9.1-41

Luz e escuridão. Estes antônimos são evocados por São João em seu Evangelho e nos mostram a importância de andar na luz e não na escuridão. Jesus faz uso dessa comparação de luz e escuridão para afirmar que ele é a luz do mundo.

O texto que vamos compartilhar falar de alguém que vivia em completa escuridão e nunca havia visto a luz.

Jesus caminhava por Jerusalém quando avistou um cego de nascença. Este homem despertou nos discípulos a curiosidade acerca de um ensinamento que afirmava que a doença era castigo divino. Os amigos de Jó, por exemplo, acreditavam nisso. Assim, os discípulos questionam Jesus se aquele homem era cego de nascença por algum pecado que seus pais tenham cometido enquanto ele era gerado. A resposta de Jesus é que nem ele nem seus pais pecaram, mas que a cegueira daquele homem era para a glória de Deus. Jesus ainda afirmou aos discípulos que é necessário realizar as obras de Deus enquanto é dia, pois haveria noite e esta não tardaria em acontecer. Eu sou a luz do mundo, afirma Jesus, deixando claro aos discípulos que é com ele que eles deveriam caminhar e qualquer outro caminho era de escuridão.

Assim, Jesus chama aquele homem cego e, após cuspir no chão e formar um lodo, passa este lodo nos olhos do cego e pede que ele vá até um tanque chamado Siloé, que fica no sul de Jerusalém. Ao se lavar, este homem passa a ver. Não só ele passa a ver, mas também as pessoas ao seu redor o reconhecem e também passam a ver que ele estava curado. Alguns dos presentes questionavam se era ele mesmo. Para não haver dúvidas, aquele mesmo homem se manifesta dizendo que ele era o cego de nascença e que um homem chamado Jesus o havia curado.

Logo a notícia se espalhou e o homem curado foi levado a presença dos fariseus para ser interrogado. Trava-se aí um debate interessante. Primeiro o questionam a respeito de quem o curou. Depois, confirmam com seus pais se ele era cego de nascimento. Por último, o chamam de volta para ter certeza de suas afirmações. Colocado contra a parede, e ciente que se não dissesse o que os fariseus queriam ouvir ele seria colocado para fora do convívio social, aquele homem afirma categoricamente: eu sei que era cego e agora vejo. Mesmo afirmando ter sido curado e ter Deus se manifestado em sua vida pela ação de Jesus, aquele homem foi expulso.

Mais tarde Jesus encontra-se com ele caminhado pela cidade. Neste encontro Jesus o coloca face a face com a verdade: ele fora curado por Cristo, que havia de vir. Após o homem curado reconhecer Jesus como Cristo, o mestre afirmou: Eu vim a este mundo para julgar as pessoas, a fim de que os cegos vejam e que fiquem cegos os que vêem. Este encontro, presenciado por alguns fariseus, levou ao questionamento: Será que isso quer dizer que nós também somos cegos? A esta pergunta Jesus respondeu: Se vocês fossem cegos, não teriam culpa! Mas, como dizem que podem ver, então continuam tendo culpa.

Esta história tem muito a nos ensinar. Hoje, vamos aprender algumas lições para que caminhemos na vontade de Deus.

A primeira delas é que Jesus foi enviado para nos dar luz. A comparação entre a vida com Jesus e a vida sm Jesus com o dia e a noite foi, naquele tempo, uma maneira de mostrar aos discípulos a importância de se caminhar ao lado de Jesus, pois ele ilumina a escuridão da nossa vida. Em Jesus encontramos as respostas para as angustias da nossa alma. Ao curar um cego de nascença, Jesus manifesta a glória de Deus e mostra que necessitamos todos dele para viver, mesmo aqueles que nasceram em lar cristãos necessitam da luz divina para viver. Quanto mais conhecimento temos da vontade de Deus e de seu amor, mais necessitamos de Jesus a iluminar as nossas vidas.

Não por acaso, Jesus envia o homem cego ao tanque de Siloé. Siloé, como já citamos, significa Enviado. Jesus foi enviado a nós para nos abrir os olhos e também nos envia a abrir os olhos dos que andam nas trevas. Jesus é luz que não nos deixa tropeçar e nos guia e nos ajuda a viver. Ele remove de nossa alma a impureza do pecado e nos afasta das trevas nos dando uma vida de paz com Deus.

Alguns, nos tempos de Jesus, não concordavam com ele. Outros, em nosso tempo, continuam não concordando com Jesus. Encontramos diversas pessoas com argumentos os mais diversos para refutar ou negar a Jesus. O fato é que ele nos dá a direção para viver. A nós cabe, por meio do testemunho, levar a luz a todos.

O homem curado esteve diante dos fariseus que não aceitaram seu relato. Os fariseus o queriam condenar. Menosprezavam Jesus, encontravam na lei maneiras de refutar o que Jesus fizera. Mas eles não conseguiram refutar a ação de Deus. O próprio homem curado afirmou: eu era cego e agora vejo. Com esta afirmação, aquele homem eliminou qualquer argumento dos fariseus. As decisões tomadas por eles foram com raiva e com descontentamento, mas não no argumento. A maneira como aquele homem consegui mostrar a luz do mundo, foi pelo testemunho vivo.

Conosco acontece o mesmo. O nosso testemunho tem que ser o principal argumento para mostrar a luz do mundo a todas as pessoas. Não adianta termos o conhecimento da palavra se não vivermos esta palavra, se esta palavra não for a base de nossa vida. De nada adianta olhar para a sociedade e condená-la por viver distante do que nós conhecemos pela palavra e nós mesmos não vivermos de acordo com esta palavra. Conhecer a palavra e não vivê-la é estar cego. Será que estamos enxergando realmente? Será que a Igreja de Cristo Jesus está apontando para a luz do mundo ou estaria ela se perdendo em suas teorias e métodos? Você e eu, o que temos feito para levar a luz do mundo para as pessoas?

Jesus afirmou que aqueles que são cegos verão e os que vêem ficarão cegos. O que isso significa para nós? Significa que, se não tomarmos cuidado com nossas atitudes, ficaremos cegos por não anunciarmos a luz do mundo!

Um dia nos todos fomos cegos. Não enxergávamos saída para as situações da nossa vida. Não víamos soluções para os nossos problemas. Não conseguíamos caminhar com nossas próprias pernas e nem levar o fardo da vida, que é tão pesado. Certo dia nós vimos a luz, não uma luz qualquer, mas a luz do mundo. Aquela que ilumina a nossa alma, que nos dá conforto e nos guia. Desde a eternidade, Deus nos reservou para ele, não para ficarmos parados, nem para ficarmos sentados em um banco de Igreja, mas para trabalharmos como operários da luz, aqueles que levam a mensagem do Santo Evangelho a todos que andam na escuridão. Jesus veio trazer juízo para aqueles que conhecem a luz e não a levam para os que se encontram na escuridão. Seria como acender uma dezena de velas e, ao invés de espalhá-las pela sala, deixá-las todas num só lugar, a iluminar apenas um canto e não a sala toda.

O que temos feito com a luz do mundo? Temos deixado num só lugar ou temos levado esta luz para todos que necessitam dela? Vamos abrir os nossos olhos. Um dia nós fomos cegos, agora vemos, não temos porque ficar aqui com nossas luzes a iluminar o mesmo lugar, precisamos levá-las ao mundo, a iluminar a todas as pessoas que caminham na escuridão.

O convite de hoje é para sermos testemunhas vivas, como foi aquele homem cego, a levar a luz do mundo para os que caminham na escuridão da vida.

Vêm-me a memória, neste instante, um cântico de origem africana, que consta no nosso hinário oficial, o Cantai Todos os Povos (nº 499), chamado Caminhemos pela luz de Deus.

Caminhemos pela luz de Deus.
Caminhemos pela luz de Deus.
Caminhemos pela luz de Deus.
Caminhemos pela luz de Deus.

Caminhemos, caminhemos,
Caminhemos pela luz de Deus.
Caminhemos, caminhemos,
Caminhemos pela luz de Deus.

Caminhemos, Igreja, pela luz de Deus! Que Deus nos abençoe.

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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