terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Culpado ou inocente?

O sol caia naquela tarde de sábado no interior de São Paulo. Depois de quinze anos recluso em uma penitenciaria, João podia caminhar livre. No seu passado um assalto seguido de fuga e troca de tiros com a policia. Na cadeia, dias de terror nas mãos dos colegas de cela. Dívidas por conta do cigarro, segurança e privilégio. Conseguiu quitá-las fazia pouco mais de um ano. Nos últimos anos de prisão decidiu que devia mudar de vida. Não queria aquilo para ele, nem para Silvia, sua esposa, nem para o Joãozinho e Karina, seus filhos, agora adolescentes.

Naquele mesmo instante, numa viela na zona leste de São Paulo, Silvia olha o relógio na parede. Nele está escrito um trecho do famoso Salmo 23 “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. São 18h. “Ele já deve ter saído”, pensou ela. No sofá Joãozinho e Karina, dezessete e dezesseis anos respectivamente, discutem:
- Ele já pagou o que tinha que pagar! Gritou Karina!
- Não interessa! Não vou trampar qui nem um camelo para sustentar malandro! Retrucou Joãozinho.
- Isso não é verdade! E se ele mudou? E se ele quiser mudar? Respondeu Karina

Sentada na cama, Silvia abre a gaveta da cômoda ao lado, tira de dentro uma Bíblia e lê:
O salário que o trabalhador recebe não é um presente, mas é o pagamento a que ele tem direito por causa do trabalho que fez. Porém a pessoa que não põe a sua esperança nas coisas que faz, mas simplesmente crê em Deus, é a fé dessa pessoa que faz com que ela seja aceita por Deus, o Deus que trata o culpado como se ele fosse inocente. (São Paulo aos Romanos 4.4-5)

Uma lágrima corre de seu rosto. Ela ora. Levanta, vai de encontro aos filhos e lê em voz alta o texto que acabara de ler. Faz-se um incômodo silêncio. Karina chora. Joãozinho curva a cabeça. Silvia conclui:
- Mesmo que ele não mereça; mesmo que tenhamos todos os motivos do mundo para odiá-lo, e nós temos; mesmo assim, ele é tão culpado quanto um de nós. Deus nos trata como inocentes. Nós vamos amá-lo como inocente, ele não é mais culpado! Não para nós!

No dia seguinte, às 5h30 da manhã, Silvia, Joãozinho e Karina acordam com uma pessoa batendo à porta. Ao abrir a porta o choro é geral. A alegria também.

A história acima pode ser a realidade de qualquer um de nós. Todos nós temos em nossas vidas situações que nos tornam culpados diante de outros, mesmo que não tenhamos cometido nenhum crime. Além do mais, todos nós somos culpados perante Deus, mas ele não nos olha assim, ele nos olha como inocentes, pois Jesus nos resgatou do pecado e de uma vida de erros para sermos filhos de Deus. Por isso a nossa esperança não está no salário que recebemos no final do mês e que sustenta nossas casas, nem nas habilidades que podemos temos para realizar tarefas e solucionar problemas. Nossa esperança está em Deus e, crendo em nele, alimentamos nossa fé para caminhar, perdoando e sendo perdoados. Se Deus nos olha como inocentes e apaga o nosso pecado, por que nós vamos insistir em levar uma vida de erros distante da vontade dele? Vamos nos unir uns aos outros, no perdão mutuo e sob o perdão de Deus.

Que Deus nos abençoe!

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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