sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Adoração e Serviço
São João 4.(1-4)5-42

Hoje vamos compartilhar de uma passagem do santo Evangelho que nos mostra como devemos viver em adoração e serviço constante a Deus.

Jesus estava a caminho de Jerusalém. Sua última viagem, e neste caminho ele para em uma pequena vila, na região de Samaria, chamada Sicar. Para nós, esta parada em Sicar, num primeiro momento, pode não significar muito. Mas para os judeus era repulsivo. A rixa entre judeus e samaritanos é antiga. Remonta à época da divisão das tribos. Os de samaria reivindicavam para si a manutenção da lei mosaica, em contra partida os judeus afirmam serem eles os verdadeiros herdeiros. A divergência chegou a tal ponto que os judeus instituíram leis contra os samaritanos. Para um judeu era preferível dar uma volta enorme, atravessando o rio Jordão e contornando a Samaria, a ter que entrar naquela terra. Os samaritanos eram repulsivos, relaxados e não observavam a lei corretamente. Esse era o sentimento dos judeus. Imagine qual não foi a reação dos discípulos ao verem Jesus conversando com uma mulher, samaritana e ainda bebendo água de um utensílio que pertence a um samaritano. Era quase que se declarar morto para os judeus.

Mas é exatamente neste poço, com esta mulher, em Samaria, que Jesus nos revela como devemos adorar e servir a Deus. A passagem de Jesus por Sicar vem nos mostrar que o Evangelho não é apenas para uns poucos privilegiados, mas é para aqueles que são menosprezados pela sociedade e pela religião dominante. Portanto, temos Jesus com uma mulher samaritana. Mulheres não eram sequer contadas naquela época, direito algum tinham. Samaritanos, como já dissemos, eram os mais desprezíveis dos desprezíveis. Dois atributos numa só pessoa que nos mostrará como adorar e servir a Deus. Vamos então saber um pouco mais deste encontro tão providencial para a mulher e de grande ensinamento para nós.

Jesus encontra-se com uma mulher samaritana. Como já dissemos, os judeus e os samaritanos não se davam bem. Neste encontro, vemos uma mulher em sua rotina de buscar água em um poço. A água é um bem vital para nossas vidas. Necessitamos dela para hidratar o nosso corpo. Sem água, morremos. Jesus faz uso dessa necessidade da água para o ser humano para mostrar àquela mulher a necessidade de outro tipo de sustento, o sustento espiritual. Por isso Jesus declara ser ele a água viva. Esta expressão, água viva, é usada no Antigo Testamento como referência à ação de Deus. O profeta Jeremias (2.13) faz uso desta expressão para dizer que o povo abandonou a fonte de Deus e buscou seus próprios meios.

Fato é que aquela mulher estava ali, diante de Jesus, conversando com ele e ouvindo ser ele a água capaz de aliviar a sua sede, não a sede do corpo, mas a sede da vida. Cada um de nós carrega dentro de si angústias e preocupações que nos trazem desconforto. Para exemplificar podemos dizer de pessoas que são naturalmente ansiosas e não conseguem lidar com a espera, ou pessoas que são inquietas com diversas questões, como a morte, por exemplo. Aquela mulher samaritana tinha dentro de si algumas inquietações. O fato de ter tido cinco maridos e ter um homem que não era seu marido era uma delas. Somente Jesus é capaz de apaziguar as inquietações das nossas vidas e nos dar a paz que necessitamos para cumprir nossa missão de servos de Deus.

Outra inquietação da mulher samaritana era com respeito à religião. Dentro desta rixa entre judeus e samaritanos, existia um item interessante: o lugar certo para adorar. Esta inquietação da mulher, pode muito bem ser atualizada em uma nova questão em nossos dias, só que um pouco diferente, algo como qual igreja é a certa para servir a Deus? Uma pergunta difícil com uma resposta complexa. Jesus dá os parâmetros ao dizer que os adoradores adoram em espírito e em verdade. Daí um bom pretexto para dizermos que não interessa a placa da Igreja. Mas, geralmente os que dizem isso excluem naturalmente algumas igrejas. Creio que devemos olhar sim a placa das Igrejas, e tentar descobrir sob o quê estão alicerçadas suas doutrinas. Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. (São Mateus 7.21), por isso o parâmetro de Jesus em declarar que Deus deve ser adorado em espírito e em verdade, pois somente aqueles que fazem a vontade de Deus recebem dele o Espírito Santo, não é fator humano e sim divino. Por isso Deus chama a todos, independente de raça, sexo, cor, condição social e religião. Sim, independente de religião. Deus usa a quem ele quer e chama para si os que ele quer. A nós, ele nos fez servos pertencentes á Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. A outros, ele fala em meio a diversas influências de outras culturas e religiões. É assim que Deus age. Para nós, pode parecer loucura Deus usar e chamar uma pessoa de outra religião. Para os judeus era loucura o filho de Deus tomar acento e debater com uma mulher, e ainda por cima uma mulher samaritana. Mas é assim que Deus age, ele não vê o supérfluo, ele olha o essencial, e o essencial é o ser humano adorá-lo em espírito. Por isso Deus chama a todos, independente quem seja.

Jesus concede a todos a água da vida. Deus chama quem ele quer, independente de quem seja. Portanto, tudo está ligado à vontade de Deus. Ele é quem nos comanda, sendo assim pertencemos a ele e, sendo dele, devemos ter consciência de que não existe lugar certo para adorá-lo. Alguns de nós pensamos ser a Igreja o único lugar para adorar a Deus. Outros pensam ser apenas alguns instantes da semana. Não. Somos chamados a adorar a Deus a todo instante e em todo lugar. No trabalho, em casa, na escola em todo lugar e em qualquer situação devemos estar em comunhão com Deus, adorando ao Senhor em palavras e, principalmente, em atitudes.

Como adorar a Deus? Esta pergunta encontraria facilmente fórmulas prontas como, por exemplo, erguendo as mãos para o alto, recitando um salmo, falando dos atributos de Deus. Todas são possibilidades viáveis, mas não terão efeito algum se forem meras repetições de palavras sem compromisso real. Ou seja, se não for verdadeiro, de coração e de alma, é melhor não fazer nada.

Adorar a Deus em espírito e em verdade é se relacionar com Deus a todo instante. É trazer do fundo da nossa alma e do nosso coração atitudes e palavras que expressam o quanto amamos ser servos de Deus. Isso está além das fórmulas de adoração ou rituais que conhecemos ou que tentam fazer de nós pequenos robôs na adoração a Deus. Por isso devemos estar atentos às nossas atitudes e palavras. Cada ação nossa deve ser sempre para adorar a Deus e revelar a todos que confessamos que Jesus é o Cristo, a água da vida que mata a sede das angústias de nossa alma.

Adorar a Deus não é apenas uma função do sacerdote, dos oficiais e líderes da Igreja ou deste ou aquele irmão e irmã. Adorar a Deus é uma prerrogativa de todo cristão. Todos nós temos por dever adorar a Deus, é algo que deve ser cultivado com prazer e alegria, para que as pessoas ao nosso redor possam conhecer a Jesus Cristo. Portanto, adorar a Deus é uma forma de testemunhar, é um estilo de vida e é para todos nós.

Este estilo de vida, que é o estilo Cristão, é firmado em dois grandes alicerces: a adoração a Deus, que inclui a confissão de que somos dele, o reconhecimento de sua soberania e a devoção total a ele; e o serviço, que inclui a obediência a sua palavra, a dedicação à sua obra e o amor para com o próximo.

Jesus semeou. Quando lemos o trecho que Jesus afirma que os campos estão brancos, devemos ter em mente que não há tempo certo para colhermos, o tempo é agora! Ele semeou sua palavra no coração dos homens desde a eternidade e hoje nós somos chamados para colhermos os frutos desta palavra semeada, a saber, a restauração do ser humano. E para buscarmos a restauração do ser humano não temos que esperar, por isso Jesus afirma que os campos estão brancos, porque já estamos perdidos e necessitamos da palavra de Deus, então, não há desculpas para arregaçarmos as mangas e trabalharmos em prol do Reino de Deus. É preciso mostrar a todos que temos uma oportunidade real de vivermos em paz e harmonia e esta oportunidade é beber da água que vem da fonte. É preciso convidar a todos para que

Da água venha beber.
Da água venha viver.
Água que é fonte
de vida e alegria.
Água que provêm
do Deus de amor e vida.
Água que purifica,
traz alívio e renovo.
Água que transborda,
vida nova ao seu povo.
Água que é vida
em terra árida a fecundar.
Água abundante,
amor e paz faz brotar.

É preciso estar disposto ao serviço. Deus não nos chamou para ficarmos sentados no banco da Igreja. Ao sairmos do templo não deixamos de ser Igreja, somos servos e servimos a todo instante. O servo fiel é aquele que atende a voz de seu Senhor, e nosso Senhor nos manda colher, nos manda na direção àqueles que se encontram distantes da água, nos manda levar a água e o alimento para aqueles que necessitam. O servo fiel é aquele que, não importa a situação, está concentrado no serviço que seu senhor lhe deu. O Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu um serviço grandioso, a saber, o de seguir seus passos e proclamar o Evangelho. O que fazemos nós com esta missão? Será que estamos ocupados demais com pequenas coisas e deixando de lado o essencial? Só para termos uma idéia, Jesus estava sozinho, no poço, quando chegou uma mulher samaritana. Este poço fica fora da vila de Sicar. Os discípulos fora a Sicar buscar mantimentos. Quando voltaram a mulher saiu. Quando a mulher voltou, não voltou sozinha. Diz o texto que muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher. A mulher samaritana deu um testemunho eficaz de sua experiência com Jesus. Os discípulos voltaram da cidade apenas com comida, não trouxeram ninguém para ver o mestre, já a mulher não, realizou uma obra missionária sem precedente em sua pequena vila, a ponto de muitos se converterem. Ela viu o campo branco e saiu a colher. Ela não ficou preocupada com o que diriam, se estava ou não preparada, se tinha muitos ou poucos anos de experiências com Jesus. Ela foi, falou e o povo foi se encontrar com Jesus.

Deu para ter uma idéia do que é capaz um bom testemunho? Pois bem, não importa se você é membro da igreja faz tempo, ou começou a freqüentar hoje, não importa, você tem a mesma responsabilidade que todos nós, como cristãos, temos: sermos servos fiéis e dedicados.

Concluindo, a mulher samaritana teve um encontro com Jesus que serve para nós como exemplo de fé e vida. Ela descobriu onde encontrar a água da vida, ou seja, a ação de Deus que refrigera a nossa alma e nos dá paz. Ela aprendeu que para adorar a Deus não tem lugar nem momento certo, toda hora é hora, todo momento é o momento. Ela ainda nos mostrou que para servir a Deus não é preciso esperar, os campos estão brancos e basta sairmos e buscarmos os perdidos para levá-los para Jesus Cristo.

Hoje, faço a você o desafio de viver em adoração constante, buscando a presença de Deus, se dispondo a testemunhar daquilo que Jesus fez e faz na sua vida, levando a água da vida, que é Jesus, àqueles que vivem na sequidão da vida! Que Deus nos abençoe.

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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