sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Salvem Tapiraí

Deliciem-se com o relato da minha viagem com a Tati para Tapiraí, 160km de São Paulo.

A ida e a pousada
Segunda-feira saímos de casa por volta das 6h. Após pararmos em duas agências do Banco Real para pagarmos conta no caixa eletrônico (uma delas estava fechada), seguimos viagem pela Raposo Tavares, saindo em direção à Ibiúna, onde paramos para tomar café da manhã numa, digamos, padaria. Em seguida saímos em direção à Piedade.

Muito interessante em Piedade é que, da placa de perímetro urbano à cidade, você roda cerca de cinco quilômetros sem ver nenhuma intervenção humana na paisagem.

Por volta das 9h30 chegamos a Tapiraí. Passamos direto pela cidade e pegamos a estrada de terra para a pousada Salve Floresta. 12km de estrada vicinal de cascalho. Muito boa, garanto que já peguei acessos terríveis, em Peruíbe, por exemplo, existem acessos que você não consegue nem passar direito. Pois bem, 10h da manhã já estávamos instalados em nosso chalé. Daí foi curtir a piscina de manhã e aguardar o almoço. À tarde fomos até a cidade de Tapiraí para comprar algumas coisas e colocar uma carta no correio. Findou-se o primeiro dia de viagem.


Estrada de terra e cascalho. Nem a chuva forte deixa a estrada ruim.

A pousada é aconchegante. Tudo lá é descrito em português e alemão. O proprietário vive na Alemanha e acaba trazendo bastante turista de lá. O chalé é uma delícia. Água quente no chuveiro, telas para não entrar insetos nas janelas, decoração rústica de muito bom gosto. Os funcionários são simpáticos e gostam de puxar um dedo de prosa para entreter os turistas. Enfim, no quesito acomodação, não tem reclamação. No quesito alimentação, também não. E não há dor de cabeça quanto aos funcionários. Só não espere encontrar lá TV, Internet e nem que seu celular funcione. Lá é para fazer nada! Descansar! Para você ter uma idéia, choveu e fez sol todos os dias. Em dois deles ficamos sem luz. Em um deles sem telefone. É floresta, lembre-se, não cidade. Outra coisa interessante na pousada é que você tem à disposição alguns instrumentos musicais, como violão e pandeiros, além de uma biblioteca, com livros em alemão e português, e algumas revistas. Não se anime com as revistas, a notícia mais fresquinha que li lá é de 2004.


Vista externa do chalé em que nos hospedamos.


Detalhe do quarto.


Tati na poltrona.


Eu na rede.


Tati admirando a lagoa.


Eu, atingindo índice olímpico na piscina.


Tati e eu no mirante.


Aqui até o Uninho descansou. Sombra e água fresca, além de um banho de folhas!


Fazendo pose no violão. Clássicos cristãos inspirados na natureza!

Na terça-feira curtimos uma trilha. Mais detalhes abaixo. Na quarta, curtimos a cidade como um todo, mais detalhes abaixo. Na quinta, decidimos por ir embora e assim deixamos Tapiraí. Mais detalhes abaixo.

A culinária do Salve Floresta
A culinária é um capítulo à parte nesta viagem. Ela vai do mediano carne com batatas do último dia ao delicioso e espetacular frango ao molho de maracujá do primeiro dia.

O café da manhã é uma constante: quatro a cinco variedades de pães, salada de frutas, requeijão, iogurte, café, chá, leite, suco, dois tipos de geléia, manteiga, margarina entre outros.

Um total de quatro refeições diárias. Café da manhã, almoço (só para quem não vai para trilha, quem vai para trilha leva lanche, preparado lá pelos próprios hospedes), café da tarde e jantar.

No geral é tudo uma delícia.


Tatiana e eu no refeitório.

A trilha
É oferecido aos hospedes a oportunidade de realizar trilhas pela mata nativa. Existem três opções e entre elas fomos agraciados com a trilha para a cachoeira do beija-flor.

Antes de pegar a trilha, nos foi oferecidos botas de borracha e um pedaço de pau para auxiliar na caminhada. Meu amigo pegue, porque você não vai querer afundar seu tênis na lama, e parte da trilha é feita dentro de um ribeirão.

Partimos da pousada em direção à cachoeira. São 3km de trilha, 1h30 de caminhada em mata fechada, com a companhia do guia. Não espere que ele pare para lhe dizer as curiosidades. Pergunte. No caminho três sons eram constantes: as cigarras, os mosquitos e o canto dos pássaros. Depois de um tempo, soma-se a isso o barulho da água. Vimos bromélias, raízes aéreas, beija-flor, orelha de pau e uma diversidade de árvores e folhas. Após 1h30 de caminhada surge a cachoeira do beija-flor, belíssima e, como toda água doce, geladíssima. Ficamos um tempo, comemos nosso lanche, e viemos embora, mais 1h30 de caminhada. Chegamos à pousada exaustos, mas ainda com fôlego para correr até a piscina.


Tati, um charme de botas!


Eu, bancando o desbravador.


Trilha fechada. Tati e à frente o guia Neco.


Caninha do brejo.


Orelha de pau.


Ribeirão. Sim, caminhamos por ele.


Esses fios são raízes aéreas.


Cachoeira do beija-flor.


Tati e ao fundo a cachoeira.

Tapiraí x Turvo
Não espere muito de Tapiraí. É uma cidade pequena. Lembre-se, você saiu da Grande São Paulo. Lá só existe um banco. Aliás, quase tudo lá é único. O banco, a padaria, a loja de roupas, a loja de móveis. Uma cidade com 8500 habitantes, onde a maioria visivelmente vive no distrito do Turvo, cerca de 12km da cidade. Lá as ruas são mais movimentadas, as lojas com pessoas dentro e o comércio mais ativo. Minha esposa bateu pé e resolveu conhecer o posto de saúde do distrito e lá ficou sabendo que, de fato, a cidade é menor que o distrito do Turvo. Como argumento, a funcionária do posto que lhe disse isso relatou que existe uma briga política, pois o banco tem a maioria de seus clientes no Turvo e não na cidade, o que o obriga a ficar na cidade é a pressão do Governo Municipal.


Igreja matriz.


Principal avenida da cidade.


Principal rua do distrito do Turvo.


Tatiana no posto de Saúde.

Outra característica de Tapiraí são os bairros rurais. Onde ficamos hospedados é o Juquiá-mirim. Mais à frente, seguindo pela mesma estrada, temos o Ribeirão das Antas. Ainda existe, para minha surpresa, um bairro chamado Alecrim. Fomos até lá para conhecer e, vejam só, encontrei até uma capela de Santo Antônio do Alecrim!


Placa indicativa da Capela do Alecrim!


Tatiana apontando para a placa! Ela adora arranjar namoros!


Capela de Santo Antônio do Alecrim!

Seu Antônio
Não, não o Santo Antônio, mas o Sr. Antônio Ermírio de Morais. Sim! Ele mesmo. A estrada que leva para a pousada tem, em seu início, uma placa com o nome de quatro represas e as suas distâncias dali da pista até elas. A última fica a 48km. Curiosos, principalmente para conhecer a terceira delas, a do Alecrim, saímos na quarta-feira em direção a estas represas. Passamos pelo bairro do Ribeirão das Antas, 7km pra frente da pousada, e seguimos viagem, certos de que mais 7km para frente encontraríamos a primeira represa. Ilusão. 5km pra frente do Ribeirão das Antas nos deparamos com um imenso portão da CBA – Companhia Brasileira de Alumínio, empresa do Grupo Votorantim, do “seu Antônio”. Dali em diante, só com autorização. Fiquei imaginando: 30km de rodovia nos separava da última represa, isso sem contar os territórios ao redor. Quanta terra não existe nas mãos de tão poucos. Além disso, nenhum megawatt das represas vai para alguma cidade da região, tudo segue para a CBA, em Alumínio. Segundo nos informou um morador, a energia gerada pelas quatro represas responde por 70% da necessidade da CBA. Outra coisa que fiquei pensando: quanto não ganharia Tapiraí se “seu Antônio” permitisse a visita turística monitorada a essas represas?

Diversidade de flora e fauna
A diversidade de espécies de plantas é gigantesca. Você perde a conta dos tipos de folhas, flores e árvores que vê. Entre eles, encontrei um imenso Jequitibá. A diversidade de animais é fascinante. Já na pousada há uma infinidade de insetos e outra enorme de pássaros, além de sapos, rãs e pererecas que não me deixaram dormir direito a noite, ao contrário da Tati, para ela o coaxar foi uma canção de ninar. Há, a disposição dos hospedes, um telescópio, onde Tati e eu pudemos observar tucanos em uma árvore se alimentando. Além disso, na pousada existem algumas iguanas. Foram capturadas quatro cobras enquanto estivemos lá. Elas são presas e levadas para um ponto distante da mata, onde são soltas. Na estrada cruzamos com borboletas, iguanas, saracuras e até mesmo uma família de quatis.


Não me lembro o nome.


Uma das cobras capturadas.


Eu,observando os tucanos.


Iguana na pousada.


Festival de formigas.


Uma tartaruga no lago.


Sim, elas não me deixaram dormir!


Alto Jequitibá!


Rio que desemboca na cachoeira do Chá.

Balanço geral e a volta
No geral a viagem foi muito boa e eu recomendo a ida à Tapiraí e a hospedagem no Salve Floresta. No quesito turismo a cidade deixa a desejar. Não pense que no centro de informações turísticas da cidade você encontrará algo, é perca de tempo, no mesmo espaço funciona um Acessa São Paulo, esse é lotado, mas as informações turísticas, esquece, não existem. A população é muito simples e anda muito. No dia em que fomos conhecer o Bairro do Alecrim, na volta, demos carona para a Dna. Irene, que caminha diariamente dos arredores do bairro do Turvo até o Bairro do Alecrim, algo em torno de 20km de ida, ou seja, 40km diários, em subidas onde até carros vão com dificuldades. Um povo humilde, simpático, acolhedor e que não tem pressa, mas pra que pressa em Tapiraí? O único apelo que fica é para o poder público municipal e os empresários donos de pousadas e restaurantes: alguém, por favor, salve Tapiraí do amadorismo do poder municipal em gerenciar seu turismo, que poderia lhe render muito dinheiro e tirar a cidade do vazio que ela vive.

Na volta decidimos passar por Pilar do Sul e Salto de Pirapora, seguindo até Votorantim. No caminho entre o distrito do Turvo em Tapiraí e Pilar do Sul, encontramos uma Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, que pertence ao Presbitério de Votorantim. Seguimos viagem e passamos pelas cidades citadas acima. Em Pilar do Sul conheci o lugar onde a Tatiana teve seu primeiro emprego. Dali fomos para Votorantim, onde encontramos com os pais da Tati, por acaso, na beira da estrada. Eles estavam comprando mudas para a chácara deles. Fomos até lá ver como andam as obras da chácara. De lá passamos na cidade de Votorantim e seguimos para Sampa, onde enfim respiramos o ar poluído e contemplamos a Selva de Pedra!


Igreja Presbiteriana Independente do Turvo de Pilar do Sul.

9 comentários:

Tiago Nogueira de Souza disse...

Adorei as fotos e os relatos, fiquei com inveja

Abraços
Tiago

Anônimo disse...

Concordo com o Tiago acima... Idem!

Rev. Giovanni fiquei muito feliz quando encontrei seu Blog, pois eu sou de Pilar do Sul, atualmente moro em Salto de Pirapora e minha esposa nasceu no Bº Turvo dos góes.
Por conhecidência o pai dela é presbitero e começou seu presbitério nessa Igreja que vc postou. Minha esposa adorou pois matou saudades, ela morava ao lado dessa igreja e até as plantas ao redor dela, foi o pai de minha esposa o Sr. João Faria e o jardim dianteiro plantado pela irmã dela (conhecidência) e esse foi um dos cenários da infância da minha esposa.
Lindo o lugar, adorei e agradeço muito a vc, já passei por aí algumas vezes mais ainda não havia conhecido minha esposa e então... só de passagem.
O Sr. João Faria vai adorar quando ver essa foto da igreja principalmente!
Se não se emporta eu copiei ela para imprimir e presentear ao meu sogro que acabou de completar 50 anos de presbiterato dessa igreja.
Apesar de eu ser católico, dou o maior incentivo a minha esposa e ao meu sogro e que Deus continue dando saúde a ele para mais uns 40+ pelo menos.
Obrigado por falar bem de nossa região e divulgar nossas riquezas e que Deus ilumine vc e sua família e Deus abençoe o presente.

Abraços!

Anônimo disse...

Giovanni e Tati,
Ficamos felizes em ver estes comentarios sobre Tapiraí...É bom que as pessoas do Mundo inteiro fiquem sabendo de uma das poucas areas da Mata Atlantica ainda pouco tocadas no Brasil.
Somos eu minha mulher de São Paulo, mas não dispensamos uma vez por semana o aconchego do fogão de lenha em Tapiraí,
Parabéns pelo texto e fotos...e esperamos que volte.

Fausto e Mônica

Rogerio Alves disse...

Parabens, lindas fotos e bom documentario...fui morador de tapiraí hoje resido en sorocaba. Já tinha me esquecido o quanto é bonito trnquilo o interior.Hoje a agitação da pequena metropole q é sorocaba me faz sentir saudades de tapirai.
Vcs estão de parabens mesmo !!!!!

Jaqueline Pupo Crene disse...

Olá! Trabalhei em Tapiraí por quase 6 anos, como monitora ambiental e também coordenadora de turismo...mas já faz tempo, uns 6 anos que mudei de lá... Fico feliz de vocês expressarem sua experiência na internet, pois lá é realmente muito bonito e inacreditável tanto verde no Estado de São Paulo. Lindas imagens!

Francis R Goes Campos disse...

Muito legal sua postagem
Lindo lugar
Gostei mais ainda da última foto, moro em Pilar do Sul e sou membro desta maravilhosa igreja, onde frequento com minha família desde pequeno.
Fiquem com Deus!

Fabio disse...

Quanta saudade!! Lindas fotos, espero que vcs tenham aproveitado!! Guardo maravilhosas lembranças deste lugar!! Não há palavras pra descrever! Obrigado por comportilhar... Grande abraço

Fabio Hilkner de Castro

Marcos Roberto disse...

Marcos disse:
Meu avô foi um dos fundadores de Tapiraí. Minha mãe nasceu lá!
Um dia também quero conhecer essa linda cidadezinha.
Parabéns pelas fotos.
Marcos Queiroz

Marcos Roberto disse...

Marcos disse:
Meu avô foi um dos fundadores de Tapiraí. Minha mãe nasceu lá!
Um dia também quero conhecer essa linda cidadezinha.
Parabéns pelas fotos.
Marcos Queiroz