Comparara-se a sensação de assistir à tevê ao consumo de drogas: a atividade reduz a sensibilidade e provoca uma preguiçosa inércia, além de restringir e condicionar a dinâmica familiar. Segundo os respondentes, a vida comunitária estava se deteriorando e parte da responsabilidade era da televisão. Com menos tempo e disponibilidade para contato pessoal, os indivíduos tornavam-se menos sensíveis aos problemas dos vizinhos e menos inclinados a atuar em seu meio social.
Desde a década de 1970, muita coisa mudou (para pior): surgiram a tevê shopping, a tevê a cabo, a digital e os canais especializados. O poder de sedução aumentou. O escritor Gore Vidal, na pele da inesquecível personagem Myra Breckinridge, em livro dos anos 1960, descreve a primeira geração da televisão como um ajuntamento de criaturas pálidas e desatentas, incapazes de enfrentar leituras mais complexas do que textos de tablóides e aptas a reagir somente ao ritmo frenético dos comerciais.
As novas gerações são ainda mais pálidas e incapazes de articular idéias. Elas são conformistas, individualistas, avessas a esforços intelectuais, impacientes, culturalmente rasas e consumistas. A tevê certamente não é a única vilã, mas não se pode menosprezar sua capacidade de imbecilizar a audiência. Como registrou Sergio Augusto nas páginas da revista Bravo! (dos bons tempos): "A tevê não suporta conversa séria, profunda e consistente. Tudo nela descamba para o circo". Na arquibancada, a platéia dócil e narcotizada grunhe, baba e ronca.
Artigo publicado originalmente na Revista Carta Capital
http://ww w.cartacapital.com.br/edicoes/468/pulmoes-e-cerebros/
Desde a década de 1970, muita coisa mudou (para pior): surgiram a tevê shopping, a tevê a cabo, a digital e os canais especializados. O poder de sedução aumentou. O escritor Gore Vidal, na pele da inesquecível personagem Myra Breckinridge, em livro dos anos 1960, descreve a primeira geração da televisão como um ajuntamento de criaturas pálidas e desatentas, incapazes de enfrentar leituras mais complexas do que textos de tablóides e aptas a reagir somente ao ritmo frenético dos comerciais.
As novas gerações são ainda mais pálidas e incapazes de articular idéias. Elas são conformistas, individualistas, avessas a esforços intelectuais, impacientes, culturalmente rasas e consumistas. A tevê certamente não é a única vilã, mas não se pode menosprezar sua capacidade de imbecilizar a audiência. Como registrou Sergio Augusto nas páginas da revista Bravo! (dos bons tempos): "A tevê não suporta conversa séria, profunda e consistente. Tudo nela descamba para o circo". Na arquibancada, a platéia dócil e narcotizada grunhe, baba e ronca.
Artigo publicado originalmente na Revista Carta Capital
http://ww w.cartacapital.com.br/edicoes/468/pulmoes-e-cerebros/





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