sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Os fundamentos de um evangelizador
Atos 5.27-32
O texto de Atos que lemos é a parte final de um episódio que começou com a infidelidade de Ananias e Safira, prosseguiu com o testemunho dos milagres feitos por intermédio dos apóstolos e chega, finalmente, com Pedro e os demais diante do Sinédrio.

O Sinédrio era o mais alto tribunal dos judeus. Sua sede era Jerusalém. Era composto pela aristocracia sacerdotal e fariseus. Tinha jurisdição civil e por vezes até penal. Reunia-se apenas em questões definidas e específicas.

É diante deste concílio que Pedro e os apóstolos são levados a assumir uma postura de obediência e dependência de Deus. Esta postura nos apresenta os fundamentos para aqueles que desejam serem promotores do Evangelho de Jesus Cristo.

O primeiro fundamento é o de…
1) Obedecer a Deus e não aos homens
Somos convidados, pelo testemunho de Pedro e os demais apóstolos, a obedecer a Deus e não aos homens. Interrogados no Sinédrio, advertidos que não ensinassem a respeito de Jesus, eles não abrem mão de sua fé e certeza no que crêem. Obedecem a Deus em primeiro lugar.

As circunstâncias das nossas vidas podem não nos levar para um Sinédrio, mas com certeza somos, todos os dias, desafiados a obedecer a Deus de forma definitiva.

Um exemplo claro disso é quando estamos diante de situações onde podemos dar um jeitinho ao invés de trilhar o caminho certo. Isso acontece na compra de um pacote de feijão em que não pegamos a nota fiscal e contribuímos para a sonegação de impostos; quando lavamos a calçada com água ao invés de varre-la e economizar água e ajudar na preservação do meio ambiente; e também quando damos uma “gorjeta” para alguém a fim de obter um benefício qualquer praticando assim suborno.

Em situações diárias e simples somos desafiados a obedecer a Deus e esta obediência é um dos fundamentos da vida de um evangelizador pois a obediência a Deus tem como fruto um testemunho irrepreensível e íntegro que fala muito mais do que qualquer palavra que possamos dizer ou escrever.

Além da obediência a Deus, é preciso também…
2) Apresentar o fundamental
Diante do Sumo-sacerdote, Pedro escolhe obedecer a Deus e apresenta a ele o fundamental da fé cristã: Jesus morreu, Jesus Ressuscitou e somente por Jesus podemos ter o perdão de nossos pecados. Pedro mostrou ao Sumo-sacerdote o fundamental do cristianismo: é preciso crer e se arrepender.

Quantas vezes nos dispomos a apresentar em nossas vidas testemunhos de que Jesus morreu e ressuscitou e por isso posso me arrepender e pela misericórdia obter perdão? É difícil demais abrir mão de determinados comportamentos nossos para demonstrar amor e arrependimento.
Somos convidados a todo instante a nos arrependermos e mostrarmos que a morte e ressurreição de Jesus fazem sentido em nossas vidas. Quando brigamos ou discutimos com um amigo ou parente, é mais fácil deixar de falar, é mais fácil esquivar e se afastar do que encarar que nós podemos estar errados ou que nós estamos certos mas cederemos um pouco para que a graça de Deus nos alcance e convença-nos dos nossos erros e acertos. É difícil abrir mão do orgulho.

Em outras situações, apresentamos o Deus abençoador, que faz maravilhas e grandiosidades e não apresentamos ao Deus que nos convida a caminhar no difícil e árduo caminho da Cruz.

Pedro, diante do Sumo-sacerdote, apresentou o amor de Deus para com os homens, não foi intolerante e agressivo, poderia simplesmente ter se esquivado de responder, mas aproveitou a oportunidade para falar dos fundamentos da fé cristã, apresentou o caminho da Cruz.

Além da obediência e de apresentar o fundamenta, é preciso, principalmente…
3) Depender do Espírito Santo
Encerrando seu discurso diante do Sinédrio, Pedro revela a essência de todo evangelizador: a dependência do Espírito Santo, concedido àqueles que obedecem a Deus.

Depender do Espírito Santo não é tarefa fácil. É preciso uma vida de dedicação e obediência a Deus. Nos momentos de dificuldades, é preciso firmeza de fé e certeza dos valores do Evangelho para não ceder no essencial e aceitar o supérfluo.

Existem situações em que nos vemos diante de dilemas e muitas vezes abrimos mão do essencial que é o amor, a esperança e a fé em Deus, para nos apegarmos ao supérfluo que é a ocasião, o comodismo e a fuga. Quantas vezes não nos refugiamos em soluções rápidas ao invés de esperar que Deus transforme nossas vidas.

Pedro poderia ter fugido, se esquivado, ter se acomodado diante da ordem do sumo-sacerdote, mas ele foi firme no essencial e não abriu mão do amor, da esperança e da fé.

Concluindo…
Conclusão
Somos chamados, diariamente, a viver o evangelho. Desejamos ser propagadores da mensagem? Então sejamos obedientes a Deus, tenhamos a certeza de apresentar o fundamental e estejamos disposto a depender exclusivamente do Espírito Santo.


Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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