quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Ônibus amigo do meio ambiente e do passageiro, também

O ônibus que deixa a sede da SL-Stockholm Transport tem apenas 11 passageiros, dos quais oito jornalistas estrangeiros. Os demais são funcionários da empresa responsável pela política de transporte público na capital da Suécia, sistema que atende cerca de 21 milhões de pessoas por mês, menos de 10% do que a SPTrans leva na cidade de São Paulo, apenas nos ônibus e vans.

Não são os números, a eficiência e menos ainda os passageiros que fazem especial este ônibus que nos transporta até a estação de abastecimento de combustível da SL. É, sim, o combustível que o movimenta: etanol.

Usado desde 1989, o etanol já move frota com 389 ônibus em Estocolmo e o esforço é que até 2011 metade das viagens seja feita com motor movido a combustível renovável. Em um ainda distante 2025, a intenção é que não haja mais ônibus queimando diesel.

Em meio as explicações sobre as mudanças feitas em relação ao ônibus convencional, o diretor da SL-Stockholm Transport, Stefan Wallin, descobre que há um jornalista brasileiro a bordo, motivo para que a conversa discorra sobre a necessidade da Suécia negociar a compra do produto no Brasil. Acrescenta que seria preciso adaptá-lo às condições do país mas não tem dúvida ao afirmar da qualidade do etanol verde-amarelo.

Para a Suécia, o acordo com o Brasil é estratégico para dar seguimento ao plano que conseguiu, até 2006, reduzir o uso de combustível fóssil em, aproximadamente, 41 mil toneladas/ano e gastar menos 16 milhões de litros de diesel/ano.

Ao chegar na garagem, enquanto o nosso ônibus é abastecido, ao lado há outro estacionado, movido a biogás. O combustível – também renovável - vem de uma estação construída a um quilômetro dali. É lá que parte da “sujeira” produzida pelos suecos é transformada para movimentar os 51 veículos que circulam na cidade. Em dois anos, este número deve saltar para 130.

O frio de 4 graus e o vento que sopra na garagem encurtam nosso bate-papo. Antes de ir embora, porém, quis saber do diretor da SL se costumava usar ônibus no seu dia-a-dia. Stefan respondeu com desdém: “vou e volto para casa”.

Quando as autoridades brasileiras passarem a usar o sistema de transporte público com a naturalidade de Stefam, sinal de que as empresas que atuam no país poderão adotar o mesmo lema da companhia sueca: “Nós fazemos o seu dia mais fácil”.

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