2Tessalonicenses 3.6-13
A segunda carta aos Tessalonicenses foi escrita para que a igreja cristã em Tessalônica pudesse compreender sua missão até o cumprimento da parousia, ou seja, a volta de Cristo. Alguns acreditavam que era para logo, e por isso, abandonavam seus afazeres profissionais e eclesiásticos e ficavam dependendo dos demais cristãos. Outros acreditavam que a volta era tão iminente que começavam a achar motivos para não cumprir a vontade de Deus. Assim, a igreja de Tessalônica vivia o conflito: Jesus voltará hoje?
Este questionamento desdobra-se na questão do dever de cada cristão em relação à sociedade. Não apenas aos próximos, mas a toda a humanidade. O texto que lemos nos apresenta dois deveres importantes e essenciais para os nossos dias também.
O primeiro destes deveres é que devemos estar…
Conservando os ensinos
Dentre os deveres dos cristãos encontramos o de conservar os ensinos que recebemos. Dentro do texto de 2Tessalonicenses encontramos um exemplo prático de conservação dos ensinos que nos foi passado de geração a geração, um exemplo dado pelo mau exemplo. O texto nos recomenda que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes.
Devemos manter uma distância destes que agem como sendo detentores do Evangelho, dos que dizem senhor, senhor e não tem Jesus como seu Senhor mas sim o dinheiro e os benefícios deste mundo.
Devemos, portanto, conservar viva dentro de nós a chama do Evangelho conforme nossos pais na fé nos ensinaram e que é passada de geração em geração. Como conservar vivo algo que não conhecemos? Esta é uma questão que me vem à mente quando penso no Presbiterianismo hoje. Como vamos manter alicerçada a nossa fé se a fundamentarmos nos lançamentos editoriais do mercado evangélico? Como vamos manter nossa fé alicerçada se colocamos como alicerce o mais novo CD gospel do mercado? Já fomos conhecidos como os maiores conhecedores de Bíblia. Lembro-me, há cerca de dez anos, quando, em conversa com um irmão pentecostal, ele dizia da admiração pelos presbiterianos pelo fato de lerem e conhecerem bem sua doutrina e a Bíblia. O que mudou? Mudou que deixamos de lado o que recebemos de herança para nos apropriarmos do que não é nosso, não é a nossa cara e nos vendem como sendo. Não somos o que o mercado evangélico diz, somos mais que isso, somos cristãos conscientes e se não formos críticos ao extremo com o que nos empurram correremos o risco de ficar cada vez mais distante do que nossos pais na fé nos ensinou.
Conservar a fé e os ensinos que nos foram passados pelos nossos pais da fé não é uma questão de tradicionalismo excessivo ou zelo demasiado, não, é antes um apelo à preservação dos valores do cristianismo, que anda sendo pisado e cuspido em nossa sociedade hoje.
O primeiro dever é o de conservar os ensinos do Evangelho, o segundo tem muito a ver o com o primeiro, pois devemos sempre estar…
Praticando o que aprendemos
Somos conhecidos por nossa tradição no ensino, mas será que temos praticado aquilo que ensinamos? O texto de 2Tessalonicenses nos mostra que não devemos atentar para o exemplo dos que não trabalham, mas antes não vos canseis de fazer o bem.
A recomendação em tom de ordem é fundamental para a proclamação do Evangelho em nossos dias. Num mundo repleto de interesses próprios e onde o egoísmo produz a maldade, não devemos nos cansar de fazer o bem.
Difícil, não? Muito mais fácil pensar nos próprios interesses, nas próprias ambições a ter que ceder para o bem de todos ou do próximo. Fazer o bem, sempre, é a expressão em vida do que aprendemos e herdamos de nossos pais na fé. Como saber se alguém ou alguma igreja segue o que nos foi passado geração após geração? Observem suas atitudes. Não se cansam de fazer o bem? E nós, nos cansamos de fazer o bem? Façamos esta análise para verificarmos se temos ou não praticado a vontade de Deus.
Uma pergunta é pertinente: a quem devemos fazer o bem? A esta questão temos uma resposta fácil: ao próximo. E quem é nosso próximo? Todo aquele que vive ao nosso redor. Devemos fazer o bem a todo instante a todas as pessoas, não como uma obrigação pesada, mas como um exercício prazeroso do amor de Deus.
Voltando nossos olhos para o cenário atual das Igrejas, o que podemos contemplar? Comunidades ajudando aos mais necessitados? Igrejas preocupadas com questões de bem estar social, emocional e espiritual da humanidade? Não! Temos visto igrejas que lutam para ter poder econômico, social e político, porém não mexe um dedo para proclamar ao mundo o real significado do Evangelho: o amor ao próximo, a alegria em servir, o dever de amar.
Concluindo…
Em nossa caminhada cristã, temos o dever de preservar o que nos foi ensinado pelos que sofreram e viveram sob a bandeira do Evangelho e praticar o que aprendemos na Palavra.
Assim, quem sabe, possamos experimentar a renovação da graça de Deus sobre nossa vida, como afirma a Confissão de Fé de Westminster em seu Capítulo X, Da Vocação Eficaz:
Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça.
Que Deus nos abençoe.
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo





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