sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Fé e Boa Consciência
1 Timóteo 1.18-20
Em nossa história cristã há muito o que glorificar a Deus. Ele tem sustentado a caminhada da Igreja desde o início dos tempos e Seu Santo Espírito tem se manifestado na história de forma grandiosa. Porém, desde o início, o Cristianismo se depara com donos da verdade. Pessoas e grupos que se declaram proprietários da Palavra de Deus e do Cristianismo. O sermão de hoje é um convite para despertarmos os nossos sentidos em direção à única verdade!

Para isto é preciso...
O bom combate
Combater o bom combate. O autor das epístolas pastorais gosta da comparação do dever do cristão com a função do militar: uma tarefa a cumprir com todo o zêlo, cuidado e dedicação. Abrindo mão de seus desejos em prol do bem maior. Assim, como cristãos, somos convidados a trabalharmos com zêlo na obra do Senhor, sem olhar as nossas vontades e manias mas olhando firmemente para o alvo, para a tarefa a ser cumprida. Nossa tarefa está expressa nos versos anteriores. Nas palavras do autor encontraremos expressões de gratidão, obediência, proclamação da palavra e glorificação a Deus. Veremos que tudo isto é fruto da segurança, misericórdia, graça, fé, amor e salvação oferecidos por Deus. Portanto nosso combate não é para matar, dominar nem destruir, mas sim para a proclamação de tudo aquilo que Deus tem para nós. Esta profecia é que nos é destinada, é nela que devemos estar firmes!
Não fomos chamados por Deus para julgarmos, acusarmos, atacarmos ou oprimir ninguém, fomos chamados em amor e por amor. Está é a profecia a que se refere o autor: Timóteo fora chamado para servir e nós também o somos!

Para isto...
Fé e Consciência
Fé e consciência devem andar juntas. Uma não pode se separar da outra. Devem ser cultivadas e crescer juntas para que o servir a Deus seja produtivo. Vemos por parte do autor uma advertência quanto ao cultivo maior de uma em detrimento da outra. Com base nisto ele nos fala de Himeneu e Alexandre. O primeiro, segundo a tradição, acusado de espiritualizar demais sua vida e seu discurso, foi advertido e admoestado pelos cristãos a retornar à boa consciência. De igual modo, segundo a tradição, Alexandre, vivia totalmente distante do que falava e pregava, foi admoestado a voltar à fé no Deus verdadeiro.
É preciso alimentar a boa consciência e a fé. Temos visto, nos últimos tempos, um crescimento desordenado de igrejas que proclamam a fé e a salvação. Por muitas vezes nós mesmos as justificamos dizendo que estão fazendo a obra. Porém, estes mesmos a quem justificamos não se justificam quando questionados e desprezam toda e qualquer interpretação diferente que se faça da Palavra de Deus. São os donos da verdade. Não admitem serem questionados. Você já parou para questionar o mercado evangélico? Já parou para encontrar base bíblica, ou seja de fé, e teológica, ou seja boa consciência, nas canções e textos que vêm sendo gravados e publicados?
Como cristãos, não podemos engolir tudo que vêm com o selo de "evangélico", "gospel" ou qualquer nome que se dê a este mercado da fé. A advertência da palavra é clara: rejeite a boa consciência e você irá naufragar na fé! Foi mantendo a consciência e a fé que Paulo proclamou o evangelho ao mundo. Foi com fé e consciência que São Francisco de Assis renunciou às riquezas para uma vida de dedicação. Foi impactado pela fé e movido pela consciência que Santo Agostinho renunciou a uma vida sem rumo para dedicar-se a Deus. Foi movido pela fé e através do estudo, cultivo da boa consciência, que Martinho Lutero reformou a igreja na Alemanha. Foi impactado pela fé e movido pelo desejo profundo da Palavra que João Calvino proclamou: COR MEUM TIBBI OFERO DOMINE PROMPTE ET SINCERE! Foi movido pela fé e boa consciência que Ashbel Green Simonton veio ao Brasil. Foi por fé e lucidez de consciência que Eduardo Carlos Pereira e mais seis pastores e quinze presbíteros disseram não a dominação maçônica na Igreja. É movido pela fé e boa consciência que você e eu devemos ser agentes de Deus na história, não aceitando este mercado corrupto e engolidor de dinheiro, recursos e atenção das igrejas, mas vivendo com fé e consciência genuína que nenhum CD, Pastor da moda, autor do momento e Igreja da moda pode vender! A fé que não tem dona! A fé que vem de Deus! A fé que caminha com a reflexão! A fé no Cristo que condenou o mercado da fé! A fé em Deus!
Pode nos parecer loucura, mas ao contemplar a realidade da igreja brasileira, oxalá tivéssemos perseguições com armas! Estas são visíveis, mas o consumismo em nome de Cristo, este, corroi por dentro as igrejas, desvia a atenção do alvo, e ataca diretamente no quartel o exercíto de Cristo. Por isto amados, devemos cultivar a nossa fé de forma consciente. Quanto tempo reservamos para orar? Quanto tempo dedicamos para leitura da Palavra? Quanto tempo dedicamos a compartilhar com os irmãos a Palavra e aquilo que temos aprendido? Vamos nos mexer! É preciso levantar e colocar-se em guarda para o bom combate. É preciso lutar, e muito, para a proclamação da verdade do evangelho. Alistemo-nos, agora, pois já é sem tempo e a batalha está aí!

Concluímos assim...
Conclusão
Somos chamados por Deus a viver com zêlo, cuidado e dedicação a fé e o amor que Ele mesmo nos dá. É preciso abrir os olhos. Estão nos ensinando, a cada dia mais, a engolir e não refletir. É preciso manter a fé e a boa consciência juntas, crescendo, para que o Reino de Deus seja construído e nós não sejamos folhas secas levadas por qualquer vento de modismo e doutrina mas sejamos árvores frutíferas na presença do Senhor.


Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo

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