
Ideologia política e fé
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
É possível ao cristão unir ideologia política e fé? A primeira vista esta pergunta poderia suscitar nos irmãos mais fervorosos um não como resposta.
As correntes político-ideológicas são muitas e com certeza em todas elas encontraremos traços do Evangelho, principalmente em questões sociais. Do conservadorismo ultra-esquerdista de Leon Trotski (ucraniano, criador do Exercito Vermelho e fundador do Partido Comunista da União Soviética) ao neo-liberalismo centro-direitista de Margaret Thatcher (a primeira a implementar um governo nos moldes neo-liberal) encontraremos marcas conceituais que se aproximam do Evangelho. Em nenhum deles encontraremos o Evangelho.
Jesus, o político.
Quando tratamos de política no tempo de Jesus tratamos da relação entre Israel e Roma, povo dominado e povo dominante. A princípio parece simples: Roma manda, Israel obedece. Porém vai além. A questão religiosa esteve envolvida nas discussões políticas e não raro era ponto de graves conflitos. No episódio da crucificação de Jesus vemos uma controvérsia política causada pelos Fariseus e Saduceus entre Pilatos e Herodes. Pilatos simbolizava Roma, Herodes, embora com aval romano, era considerado Rei entre os judeus herodianos. Fato é que Pilatos e Herodes empurram para longe de si Jesus.
Durante todo seu ministério encontramos Jesus envolvido com questões políticas: a falta de responsabilidade para com os enfermos, a falta de dignidade para com as viúvas e órfãos, a inclusão dos que estão à margem da sociedade. Saúde e educação são as principais atitudes políticas de Jesus: cura e ensina. Não vemos Jesus discutindo se o certo é seguir os Fariseus, os Saduceus, pelo contrário, vemos Jesus condenando-os por sua forma de viver a fé. Quando abordado no tocante aos impostos, Jesus é claro ao afirmar que devemos cumprir com nossas obrigações para com o Governo.
Jesus foi político em suas atitudes e palavras. Viveu a vontade de Deus, mostrando que é possível alinhar atitude política e cumprir a vontade do Pai.
Cristãos, políticos?
Até que ponto nós, cristãos do século XXI, podemos viver o evangelho e ainda seguir uma ideologia política? Tudo passa pela mensagem do Evangelho. Nossas posturas políticas devem ser alinhadas as nossas convicções de fé. Aquilo que cremos deve ser expressado politicamente. Não há erro em assumir-se partidarista, em defender um partido político e parte de suas idéias. Em todos eles haverão questões pró e contra o Evangelho, cabe a cada um, na hora de tornar suas idéias políticas em ações, pesar bem o que é melhor: defender uma postura ideológica ou uma postura de fé.
Como exemplo damos sempre constante questão da inclusão homossexual. Em nosso bairro, cidade, estado e país, se for aberto a discussão para se reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo, nós como cristãos e partidaristas, o que defenderemos? A grande maioria dos partidos apóia e possuem militância GLS (Gays, lésbicas e simpatizantes). Nem por isso como cristão devo assumir este valor partidário à frente da minha fé. Em momentos polêmicos devemos ser firmes nos princípios de Cristo.
Concluindo
Que conclusão tirar disto tudo? Como cristãos devemos ter uma postura política ativa. Devemos ser coerentes em nossas escolhas políticas para que elas se alinhem com nossas convicções de fé. Devemos ser firmes em nossos conceitos de fé para que, mesmo pensando diferente da maioria desta ou daquela corrente ideológica, prevaleça sempre a união em Cristo.
Não vemos como impossível uma roda de conversa entre um cristão ultra-esquerdista e um cristão neo-liberal, desde que o centro de todos os assuntos parta da fé e não da ideologia. Porém, se o ponto de partida for a ideologia política, lamentaremos sempre a derrota da fé frente a ideologia.
Pela Coroa Real do Salvador
Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
É possível ao cristão unir ideologia política e fé? A primeira vista esta pergunta poderia suscitar nos irmãos mais fervorosos um não como resposta.
As correntes político-ideológicas são muitas e com certeza em todas elas encontraremos traços do Evangelho, principalmente em questões sociais. Do conservadorismo ultra-esquerdista de Leon Trotski (ucraniano, criador do Exercito Vermelho e fundador do Partido Comunista da União Soviética) ao neo-liberalismo centro-direitista de Margaret Thatcher (a primeira a implementar um governo nos moldes neo-liberal) encontraremos marcas conceituais que se aproximam do Evangelho. Em nenhum deles encontraremos o Evangelho.
Jesus, o político.
Quando tratamos de política no tempo de Jesus tratamos da relação entre Israel e Roma, povo dominado e povo dominante. A princípio parece simples: Roma manda, Israel obedece. Porém vai além. A questão religiosa esteve envolvida nas discussões políticas e não raro era ponto de graves conflitos. No episódio da crucificação de Jesus vemos uma controvérsia política causada pelos Fariseus e Saduceus entre Pilatos e Herodes. Pilatos simbolizava Roma, Herodes, embora com aval romano, era considerado Rei entre os judeus herodianos. Fato é que Pilatos e Herodes empurram para longe de si Jesus.
Durante todo seu ministério encontramos Jesus envolvido com questões políticas: a falta de responsabilidade para com os enfermos, a falta de dignidade para com as viúvas e órfãos, a inclusão dos que estão à margem da sociedade. Saúde e educação são as principais atitudes políticas de Jesus: cura e ensina. Não vemos Jesus discutindo se o certo é seguir os Fariseus, os Saduceus, pelo contrário, vemos Jesus condenando-os por sua forma de viver a fé. Quando abordado no tocante aos impostos, Jesus é claro ao afirmar que devemos cumprir com nossas obrigações para com o Governo.
Jesus foi político em suas atitudes e palavras. Viveu a vontade de Deus, mostrando que é possível alinhar atitude política e cumprir a vontade do Pai.
Cristãos, políticos?
Até que ponto nós, cristãos do século XXI, podemos viver o evangelho e ainda seguir uma ideologia política? Tudo passa pela mensagem do Evangelho. Nossas posturas políticas devem ser alinhadas as nossas convicções de fé. Aquilo que cremos deve ser expressado politicamente. Não há erro em assumir-se partidarista, em defender um partido político e parte de suas idéias. Em todos eles haverão questões pró e contra o Evangelho, cabe a cada um, na hora de tornar suas idéias políticas em ações, pesar bem o que é melhor: defender uma postura ideológica ou uma postura de fé.
Como exemplo damos sempre constante questão da inclusão homossexual. Em nosso bairro, cidade, estado e país, se for aberto a discussão para se reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo, nós como cristãos e partidaristas, o que defenderemos? A grande maioria dos partidos apóia e possuem militância GLS (Gays, lésbicas e simpatizantes). Nem por isso como cristão devo assumir este valor partidário à frente da minha fé. Em momentos polêmicos devemos ser firmes nos princípios de Cristo.
Concluindo
Que conclusão tirar disto tudo? Como cristãos devemos ter uma postura política ativa. Devemos ser coerentes em nossas escolhas políticas para que elas se alinhem com nossas convicções de fé. Devemos ser firmes em nossos conceitos de fé para que, mesmo pensando diferente da maioria desta ou daquela corrente ideológica, prevaleça sempre a união em Cristo.
Não vemos como impossível uma roda de conversa entre um cristão ultra-esquerdista e um cristão neo-liberal, desde que o centro de todos os assuntos parta da fé e não da ideologia. Porém, se o ponto de partida for a ideologia política, lamentaremos sempre a derrota da fé frente a ideologia.
Pela Coroa Real do Salvador





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