Existe uma instituição dentro da Igreja chamada Escola Dominical. Durante anos, Igrejas sustentaram esta instituição com classes onde o ensino da Palavra era fundamentalmente doutrinário e bíblico. Porém, de uns tempos para cá, esta instituição veio perdendo força, se esvaziando, se relativizando, deixando, inclusive, de existir.
Sou de um tempo onde a Escola Dominical era mais cheia que os Cultos. Onde os Estudos Bíblicos de dia de semana eram disputados. Sou saudosista quanto a isso. Mas não posso querer reproduzir aquele sistema nos dias de hoje. Hoje a situação é outra, as pessoas são outras, os ensinos são outros. É preciso se atualizar, se reciclar, abrir a mente e perceber qual a necessidade e o que fazer com a Escola Dominical em nossos dias.
Este estudo não visa nenhum rigor acadêmico nem tampouco traçar um histórico da Escola Dominical, mas sim lançar diversas pulgas nas nossas orelhas e abrir nossa mente para que possamos conhecer em nossos dias a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele
O que aconteceu?
É o que me perguntei quando, em 2005, fui a uma região comercial no centro de São Paulo, conhecida por ser a rua dos crentes, em busca de lista de chamada para a Escola Dominical da congregação que assumi naquele ano. Percorri as cercas de dez quadras da rua em busca da lista e não encontrei. O pior não foi não ter encontrado, mas sim, a reação dos comerciantes: não sabiam nem o que era Escola Dominical.
O que aconteceu com a Igreja? Não estudamos mais a Bíblia. Sim, foi o que descobri ao visitar a rua dos crentes. Mas descobri também algo interessante: existem dois grupos de Igrejas, as que se preocupam com o ensino e as que não. No primeiro grupo encontramos quase que cem por cento das Igrejas oriundas da reforma e suas filhas e netas. Encontramos os Católicos, com seus grupos de estudos bíblicos e com riquíssimo material de estudo. Encontramos também Igrejas Pentecostais tradicionais, das quais eu destaco o brilhante trabalho das Assembléias de Deus em manter esta instituição viva e pulsante dentro de seu arraial. No segundo grupo encontramos o resto, e tenho que chamar de resto porque não posso considerar séria uma Igreja que não se preocupe com o ensino da Palavra.
Ao descobrir estes dois grupos, percebi que as Igrejas do primeiro grupo são bem menores em relação ao resto. Percebi, então, a ênfase destas Igrejas que estão no segundo grupo: pregação pessoal e música. De fato, podemos afirmar que a pregação é um recurso de ensino, eu discordo, mas podemos. Também podemos afirmar que a música é um meio de ensino, e de fato o é. É mais fácil guardar a letra de uma música do que memorizar um trecho bíblico. Mas a ênfase destas Igrejas em música e pregação vem carregada de elementos herdados do evangelicalismo norte-americano, onde a sua Igreja deve crescer, onde é preciso que sua Igreja esteja no topo das Igrejas, onde a sua Igreja deve ser a melhor e a maior. Com esta diretriz em mente e com um mercado consumidor crescente de novos adeptos as estas Igrejas, é fácil entender porque o ensino da Palavra foi desaparecendo e dando espaço para artistas e pastores, bispos e até apóstolos.
É neste contexto que temos o crescimento desordenado de Igrejas e comunidades com a bandeira de Cristo numa mão e do mercado evangélico na outra.
Como ficamos nós?
Dentro deste contexto cabe uma pergunta: como ficamos nós? Como fica a nossa Escola Dominical? Qual os temas e assuntos que devemos estudar diante de um cenário tão complexo de Igrejas?
Primeiro vem uma constatação. A influência das Igrejas neo pentecostais sobre as nossas Igrejas são enormes. Basta abrirmos o arquivo de músicas que cantamos e veremos quantas são nossas e quantas são de Igrejas neo pentecostais. Mas o problema não é cantarmos músicas compostas por outras igrejas, mas sim o quê cantamos, o conteúdo e a teologia que estão embutidas nestas letras. Esta influência é que nos afasta a cada dia das nossas raízes e nos deixam mais distantes do presbiterianismo.
Com base nisso proponho que o primeiro tema que a Escola Dominical de nossos dias deve abordar é o mesmo que era abordado vinte anos atrás: Doutrina.
Enquanto perdermos tempo sem ensinar doutrina, mais distantes ficaremos de nossas raízes.
Mas o que vem a ser doutrina? O conjunto de valores e dados que nos distinguem como Presbiterianos Independentes. Encontramos boa parte dela na Confissão de Fé de Westminister.
Mas para quê estudar doutrina? Primeiro para sabermos no que acredita a Igreja a qual pertencemos. Segundo para sabermos diferenciar e encontrar distorções nas influências das outras Igrejas sobre nós. Por último, e mais importante, para levarmos a todos os que nos cercam a Palavra que transforma a vidas das pessoas.
O que fazer?
É preciso se preparar como cristão para enfrentar os questionamentos que nossa sociedade apresenta hoje. O problema é que nos preparamos para compreender o texto bíblico, nos preparamos até para responder determinadas questões, mas conhecemos pouco a Bíblia. Dez anos atrás poderíamos dizer com toda o orgulho do mundo que nós sabíamos mais de Bíblia que os católicos. Hoje não. Perdemos o hábito da leitura da Bíblia em nossas casas e do estudo bíblico fundamentado na doutrina presbiteriana em nossas Igrejas.
Devemos buscar conhecimento doutrinário para que eles sejam propulsores de nossas ações cristãs no mundo. Este deve ser o nosso diferencial. Enquanto o mundo evangélico alimenta e sustenta seu mercado evangélico, nós devemos nos voltar para a sociedade e não nos afastarmos dela. Precisamos ser bons e referenciais na sociedade em todas as áreas do conhecimento.
Um médico cristão não deve ser tratado diferente de um médico não cristão, mas o médico cristão deve ter posturas e atitudes diferentes dos outros médicos que não são cristãos. Um músico cristão não deve apenas tocar na igreja, ele pode tocar fora da igreja, pois é o dom dele, mas ele não deve ter as atitudes e posturas de um músico não cristão.
O problema é que acostumamos rápido de mais a separar e queremos que tudo o que não é cristão fique fora. Mas acontece que existe um monte de gente que não pertence à igreja que está fazendo o que nós, cristãos, deveríamos fazer, e isso há muito tempo. Para não nos alongarmos demais vou dar um exemplo da década de 80 e outro da década de 90, e apenas na área da música:
Sou de um tempo onde a Escola Dominical era mais cheia que os Cultos. Onde os Estudos Bíblicos de dia de semana eram disputados. Sou saudosista quanto a isso. Mas não posso querer reproduzir aquele sistema nos dias de hoje. Hoje a situação é outra, as pessoas são outras, os ensinos são outros. É preciso se atualizar, se reciclar, abrir a mente e perceber qual a necessidade e o que fazer com a Escola Dominical em nossos dias.
Este estudo não visa nenhum rigor acadêmico nem tampouco traçar um histórico da Escola Dominical, mas sim lançar diversas pulgas nas nossas orelhas e abrir nossa mente para que possamos conhecer em nossos dias a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele
O que aconteceu?
É o que me perguntei quando, em 2005, fui a uma região comercial no centro de São Paulo, conhecida por ser a rua dos crentes, em busca de lista de chamada para a Escola Dominical da congregação que assumi naquele ano. Percorri as cercas de dez quadras da rua em busca da lista e não encontrei. O pior não foi não ter encontrado, mas sim, a reação dos comerciantes: não sabiam nem o que era Escola Dominical.
O que aconteceu com a Igreja? Não estudamos mais a Bíblia. Sim, foi o que descobri ao visitar a rua dos crentes. Mas descobri também algo interessante: existem dois grupos de Igrejas, as que se preocupam com o ensino e as que não. No primeiro grupo encontramos quase que cem por cento das Igrejas oriundas da reforma e suas filhas e netas. Encontramos os Católicos, com seus grupos de estudos bíblicos e com riquíssimo material de estudo. Encontramos também Igrejas Pentecostais tradicionais, das quais eu destaco o brilhante trabalho das Assembléias de Deus em manter esta instituição viva e pulsante dentro de seu arraial. No segundo grupo encontramos o resto, e tenho que chamar de resto porque não posso considerar séria uma Igreja que não se preocupe com o ensino da Palavra.
Ao descobrir estes dois grupos, percebi que as Igrejas do primeiro grupo são bem menores em relação ao resto. Percebi, então, a ênfase destas Igrejas que estão no segundo grupo: pregação pessoal e música. De fato, podemos afirmar que a pregação é um recurso de ensino, eu discordo, mas podemos. Também podemos afirmar que a música é um meio de ensino, e de fato o é. É mais fácil guardar a letra de uma música do que memorizar um trecho bíblico. Mas a ênfase destas Igrejas em música e pregação vem carregada de elementos herdados do evangelicalismo norte-americano, onde a sua Igreja deve crescer, onde é preciso que sua Igreja esteja no topo das Igrejas, onde a sua Igreja deve ser a melhor e a maior. Com esta diretriz em mente e com um mercado consumidor crescente de novos adeptos as estas Igrejas, é fácil entender porque o ensino da Palavra foi desaparecendo e dando espaço para artistas e pastores, bispos e até apóstolos.
É neste contexto que temos o crescimento desordenado de Igrejas e comunidades com a bandeira de Cristo numa mão e do mercado evangélico na outra.
Como ficamos nós?
Dentro deste contexto cabe uma pergunta: como ficamos nós? Como fica a nossa Escola Dominical? Qual os temas e assuntos que devemos estudar diante de um cenário tão complexo de Igrejas?
Primeiro vem uma constatação. A influência das Igrejas neo pentecostais sobre as nossas Igrejas são enormes. Basta abrirmos o arquivo de músicas que cantamos e veremos quantas são nossas e quantas são de Igrejas neo pentecostais. Mas o problema não é cantarmos músicas compostas por outras igrejas, mas sim o quê cantamos, o conteúdo e a teologia que estão embutidas nestas letras. Esta influência é que nos afasta a cada dia das nossas raízes e nos deixam mais distantes do presbiterianismo.
Com base nisso proponho que o primeiro tema que a Escola Dominical de nossos dias deve abordar é o mesmo que era abordado vinte anos atrás: Doutrina.
Enquanto perdermos tempo sem ensinar doutrina, mais distantes ficaremos de nossas raízes.
Mas o que vem a ser doutrina? O conjunto de valores e dados que nos distinguem como Presbiterianos Independentes. Encontramos boa parte dela na Confissão de Fé de Westminister.
Mas para quê estudar doutrina? Primeiro para sabermos no que acredita a Igreja a qual pertencemos. Segundo para sabermos diferenciar e encontrar distorções nas influências das outras Igrejas sobre nós. Por último, e mais importante, para levarmos a todos os que nos cercam a Palavra que transforma a vidas das pessoas.
O que fazer?
É preciso se preparar como cristão para enfrentar os questionamentos que nossa sociedade apresenta hoje. O problema é que nos preparamos para compreender o texto bíblico, nos preparamos até para responder determinadas questões, mas conhecemos pouco a Bíblia. Dez anos atrás poderíamos dizer com toda o orgulho do mundo que nós sabíamos mais de Bíblia que os católicos. Hoje não. Perdemos o hábito da leitura da Bíblia em nossas casas e do estudo bíblico fundamentado na doutrina presbiteriana em nossas Igrejas.
Devemos buscar conhecimento doutrinário para que eles sejam propulsores de nossas ações cristãs no mundo. Este deve ser o nosso diferencial. Enquanto o mundo evangélico alimenta e sustenta seu mercado evangélico, nós devemos nos voltar para a sociedade e não nos afastarmos dela. Precisamos ser bons e referenciais na sociedade em todas as áreas do conhecimento.
Um médico cristão não deve ser tratado diferente de um médico não cristão, mas o médico cristão deve ter posturas e atitudes diferentes dos outros médicos que não são cristãos. Um músico cristão não deve apenas tocar na igreja, ele pode tocar fora da igreja, pois é o dom dele, mas ele não deve ter as atitudes e posturas de um músico não cristão.
O problema é que acostumamos rápido de mais a separar e queremos que tudo o que não é cristão fique fora. Mas acontece que existe um monte de gente que não pertence à igreja que está fazendo o que nós, cristãos, deveríamos fazer, e isso há muito tempo. Para não nos alongarmos demais vou dar um exemplo da década de 80 e outro da década de 90, e apenas na área da música:
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz da terra, amor, o pé na terra
A paz na terra, amor, o sal da terra
(O Sal da Terra – Beto Guedes)
Irmão o demônio fode tudo ao seu redor,
pelo rádio, jornal, revista e outdoor.
Te oferece dinheiro, conversa com calma,
contamina seu caráter, rouba sua alma.
Depois te joga na merda sozinho,
Transforma um preto tipo A num neguinho.
Minha palavra alivia sua dor,
ilumina minha alma,
louvado seja o meu Senhor.
(Capítulo 4 Versículo 3 – Racionais MC’S)
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz da terra, amor, o pé na terra
A paz na terra, amor, o sal da terra
(O Sal da Terra – Beto Guedes)
Irmão o demônio fode tudo ao seu redor,
pelo rádio, jornal, revista e outdoor.
Te oferece dinheiro, conversa com calma,
contamina seu caráter, rouba sua alma.
Depois te joga na merda sozinho,
Transforma um preto tipo A num neguinho.
Minha palavra alivia sua dor,
ilumina minha alma,
louvado seja o meu Senhor.
(Capítulo 4 Versículo 3 – Racionais MC’S)
Percebem? A primeira, uma música belíssima de Beto Guedes nos convida à união para banir do mundo a opressão, nos convida ao amor, a paz na terra, a sermos sal da terra. A segunda, um Rap contundente dos Racionais MC’S, apresenta ao mundo como o inimigo atua: te oferece dinheiro, conversa com calma, contamina seu caráter, rouba a sua alma.
Cadê a Igreja que não está dizendo isso ao mundo? Beto Guedes dificilmente é escutado nas periferias, portanto, é ouvido nas classes mais intelectuais. Racionais MC’S dificilmente é ouvido por intelectuais, mas é unanimidade nas periferias. E a Igreja? O que está mostrando à sociedade? A força de seu mercado? A influência política de seus líderes? O que estamos fazendo Igreja? Vendendo CD? Perdemos o foco? Não apontamos mais para Cristo, faz tempo, apontamos para nós mesmos.
O que tudo isso tem a ver com a Escola Dominical? Tudo. Do tema que é discutido em sala de aula ao reflexo disto na vida da Igreja. Podemos continuar discutindo as Cartas de Paulo, os feitos de Jesus, mas precisamos abrir espaço para encontrar fórmulas de atingir a sociedade ao nosso redor, para que nossas atitudes reflitam o que aprendemos na Escola Dominical. O que as Cartas de Paulo e os feitos de Jesus tem a nos dizer hoje? Melhor, o que posso fazer com essas informações para tornar o mundo melhor?
É preciso reflexão, é preciso ousadia, é preciso ser Igreja, caso contrário, continuaremos a engordar nossos rebanhos e não faremos o principal, anunciar a Cristo.
Que Deus nos abençoe.
Cadê a Igreja que não está dizendo isso ao mundo? Beto Guedes dificilmente é escutado nas periferias, portanto, é ouvido nas classes mais intelectuais. Racionais MC’S dificilmente é ouvido por intelectuais, mas é unanimidade nas periferias. E a Igreja? O que está mostrando à sociedade? A força de seu mercado? A influência política de seus líderes? O que estamos fazendo Igreja? Vendendo CD? Perdemos o foco? Não apontamos mais para Cristo, faz tempo, apontamos para nós mesmos.
O que tudo isso tem a ver com a Escola Dominical? Tudo. Do tema que é discutido em sala de aula ao reflexo disto na vida da Igreja. Podemos continuar discutindo as Cartas de Paulo, os feitos de Jesus, mas precisamos abrir espaço para encontrar fórmulas de atingir a sociedade ao nosso redor, para que nossas atitudes reflitam o que aprendemos na Escola Dominical. O que as Cartas de Paulo e os feitos de Jesus tem a nos dizer hoje? Melhor, o que posso fazer com essas informações para tornar o mundo melhor?
É preciso reflexão, é preciso ousadia, é preciso ser Igreja, caso contrário, continuaremos a engordar nossos rebanhos e não faremos o principal, anunciar a Cristo.
Que Deus nos abençoe.





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